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Ex-Convento de Santo António de Charnais-Merceana

    OS TELES ( de Meneses ), de Alenquer - séculos XVI a XVIII.

        A Quinta do Pinheiro ( Santana da Carnota ), teria sido cabeça

          de morgadio dos bens de raíz, dessa Família.        .

            

    A partir de leituras que com alguma regularidade fazemos da obra "Alenquer e o Seu Concelho" do historiador alenquerense do século XIX, Guilherme João Carlos Henriques, tomámos conhecimento que na Igreja de S.Francisco, (ex-Convento), havia sido sepultado, (julgamos por volta de 1600), o ilustre Senhor António Teles Pestana, assim como sua esposa e descendentes, em espaço que se julga ter sido localizado próximo do altar de Nª Sª das Dores. Este Senhor casou em 1573 com a Senhora D. Anna de Sá, e aquele autor refere que era filho de Martim Teles, casado com D. Mexia Pestana. Pela nossa curiosidade, quizémos fazer uma abordagem sobre o ramo geneológico a que pertenceu este Senhor António Teles Pestana. Sabendo que se correm riscos de imprecisão sobre a pesquisa da sua ascendência, acabámos por enveredar pela ligação de parentesco com o Senhor Ruy Teles de Meneses, que foi guarda-mór da mãe do Rei D. João III, (a segunda mulher de D. Manuel, D. Maria de Castela), guarda-mór do infante D. Luis, irmão de D. João III e ainda mordomo-mór da infanta D. Isabel, também irmã deste Rei. Tendo presente que tanto o Rei D. Manuel I e o filho, o Rei D. João III e suas esposas rainhas, tinham preferência em passar épocas de descanso em Alenquer, Almeirim e Santarém, é de crer que este Senhor Ruy Teles de Meneses, aqui, em Alenquer, residisse, prestando serviço logístico ao Rei D. João III. O Senhor Ruy Teles de Meneses seria pai de Martim Teles e avô de António Teles Pestana.

    O Senhor Ruy Teles de Meneses foi considerado o primeiro possuidor do morgadio dos Teles, que terá sido instituído por sua mãe D. Maria Vilhena , por volta de 1485, quando este Senhor teria à volta de 20 anos de idade. Julgamos que terá sido filho de Fernão Teles ( de Meneses ), e foi com este progenitor que começou o uso do apelido Meneses, por o ter herdado de sua mãe D. Brites de Meneses. Esta Senhora era por isso, avó paterna de Ruy Teles de Meneses. D. Brites era aia do Rei D. Afonso V, e era casada com Aires Gomes da Silva, Senhor de Vagos. Este Senhor, na batalha de Alfarrobeira (1449),  tomou o partido de D. Pedro, irmão de D. Duarte e tio do Rei D. Afonso V, e por esse facto os seus bens foram confiscados por este Rei que lutou contra o tio (D. Pedro), naquela batalha. Porém, graças à accção da esposa, de Aires Gomes da Silva, com os bons serviços feitos ao Rei D. Afonso V, os bens retornaram ao património desta Senhora Dona Brites de Meneses. D. Maria de Vilhena, casada com Fernão Telles, mãe de Ruy Telles de Meneses, era sobrinha e nora de D. Brites de Meneses,  casada com Aires Gomes da Silva; portanto D. Maria Vilhena casada com Fernão Teles de Meneses, seriam primos. Ela, D. Maria Vilhena continuou o trabalho da tia na Caza Real de D. Afonso V. Por morte de Aires Gomes da Silva, o filho Fernão Teles de Meneses, levou metade daqueles bens que tinham retornado à casa dos pais, e este filho passou a adoptar, por dignidade e honra, assim julgamos, o apelido da mãe Brites Meneses. A filha do rei D. Afonso V, a princesa Santa Joana, que ficara sem mãe aos três anos de idade foi entregue aos cuidadados daquela Senhora D. Brites de Meneses, muito culta e virtuosa fidalga. Ela enviuvou em 1453, tendo-se recolhido ao convento de S. Marcos-Tentúgal (Montemor-o-Velho), em 1458. Porém, o que julgamos, é que se trataria apenas ainda de uma ermida que esta virtuosa Senhora doou em 1451, (depois de a ter recebido do rei D. Afonso V), aos frades jerónimos para ser construído o convento nas formas que se conhecem pelas fotografias actuais, mas só depois de 1500. As obras receberam o grande impulso de Aires da Silva, um influente conselheiro da corte de D. João II; era Regedor das Justiças, casado com D. Guiomar de Castro e transmitiu mais tarde este importante cargo a seu filho João da Silva em 1518. Entre 1520-23 construiram-se no convento as capelas e túmulos que formaram o panteão da família dos Silvas. Julgamos que anos antes havia sido construída a capela gótica de Fernão Teles de Meneses e ainda a capela manuelina para sepultura de Dona Brites de Meneses.

   A princesa Santa Joana, ainda, passou a ter como preceptora D. Beatriz de Vilhena, casada com Diogo Soares de Albergaria, em Évora. Entretanto a Senhora D. Maria Vilhena, ainda quando viúva, de Fernão Teles de Meneses, deu forma e estatuto, com o filho Ruy Teles de Meneses, ao morgadio dos Teles, por volta de 1485, cuja data já se referiu. A Senhora sua mãe, D. Maria de Vilhena, veio a falecer em 1502; ela seria, então, bisavó do Senhor António Teles Pestana, sepultado no ex-convento de S. Francisco, de Alenquer.

    Somos de supôr que, aquilo que acabámos de descrever respeitará a um ramo dos Teles; e  um outro ramo pode respeitar a um outro Martim Teles, pessoa diferente, este não sendo filho de Ruy Teles de Meneses, mas um seu parente; atendendo a que Guilherme J. C. Henriques, em Inéditos Goesianos (I), pág. 133 diz que  Martim Teles instituiu um morgadio em 1466 (...) . Se Guilherme Henriques diz que Martim Teles instituiu um vínculo de morgadio em 1466, como pode um neto (de D. Maria Vilhena), instituir um vínculo 19 anos antes do instituído pela avó em 1485. Portanto uma grande discrepância há aqui decerto, porventura motivada por nomes idênticos em pessoas de diferente, embora aproximado, parentesco. Sobre aquela data (1466), João Pedro Ferro, na sua obra "Alenquer Medieval" diz que a "Calçada do Espírito Santo, de Alenquer, devia aglomerarnas suas margens algumas das melhores casas" e referindo-se a Guilherme João Carlos Henriques, aquele autor diz que este fala de uma "Casa do Castelo" que pertenceu a Martim Teles, cavaleiro da Ordem de Cristo e menciona aquela data (1466). Diz Guilherme Henriques que a Casa se situava junto do forno do capitão e junto das casas de João Cotrim e por detrás havia pardieiros que davam para o adro da Igreja de S. Pedro ( págs 168/169 de Alemquer e Seu Concelho de Guilherme J.C. Henriques ). Ora, o Martim Teles que casou com D. Mexia Pestana por volta de 1540, segundo cremos, não deve ser o mesmo Martim Teles que tinha a "Casa do Castelo" em 1466. Algum equívoco haverá aqui, sem nenhuma intenção, por parte de Guilherme J. C. Henriques; poderá ser este Martim Teles um parente ascendente daquele; estamos em crer que o marido de D. Mexia Pestana seria neto de Fernão Teles de Meneses, e este está sepultado em túmulo de extrordinária beleza em arquitectura, na Igreja de S. Marcos de Tentúgal (Montemor-o-Velho). Ainda o autor João Pedro Ferro em "Alenquer Medieval" fala de um Rui Teles que era escrivão da Cãmara de Alenquer em 29.11.1497 e era sobrinho e criado de Martm Teles e este pelo que nos parece seria o dono da "Casa do Castelo"

    Entretanto, sabe-se que o morgadio dos Teles, em Alenquer, teve como cabeça a Quinta do Pinheiro (na estrada entre Cadafais e Santana da Carnota), nome este adquirido posteriormente aquando da sua posse por André de Sousa Pinheiro da Camara, que foi Corregedor de Alenquer. Dos autores da obra "O Concelho de Alenquer, 4", dos professores António de Oliveira Melo e António Rodrigues Guapo e Padre José Eduardo Martins, retirámos, com a devida vénia, a seguinte informação: " A Quinta do Pinheiro resulta da união dos vínculos instituídos por Martim Teles, comendador da Ordem de Cristo, António Teles Pestana e Margarida Afonso Camela. Esta união efectua-se por provisão régia em 28/6/1774. No começo do século XIX, são sucessores do vínculo João Nunes Franco e D. Maria Margarida Franco de Barbuda . Em 1814 é aforada em factiosim perpétuo a Joaquim Pereira de Almeida com o foro anual de 71$000 em metal. Em 1873 pertencia a António Francisco Gomes Ganchas. Hoje pertence a António José do Vale Serra".  Este Senhor seria filho de José Francisco Serra, e julgamos que este Senhor, ou ainda o pai deste, teria sido um importante colaborador-empregado, responsável pelos bois, (abegão), do Senhor António Francisco Gomes Ganchas, que  áquele terá feito doação da Quinta, por volta de 1890, pois este Senhor António F. G. Ganchas, não tinha filhos; e nesta doação ainda se teria incluído a Quinta do Mosqueiro.

    Mas, e voltando ainda, ao percurso de vida do Senhor Martim Teles, pensamos que ele tivesse uma outra parente; a Senhora D. Isabel Teles, talvez prima ou sobrinha, que casou com Pedro Vaz Rolim, que era tabelião em Alenquer e deu nome à sua azenha (a Azenha do Rolim, à ponte de Pancas), por volta de 1520. Este casal teve o filho Bráz Teles que casou em 1549 com Anna Dias, de alcunha Porcalha. Desta união nasceram Rui Teles, talvez por volta de 1550 e D. Margarida Porcalha. De Rui Teles terá descendido uma outra D. Margarida, nascida talvez por volta de 1570 e que pelos anos de 1588 veio a casar com o Senhor Manuel de Sousa. Este Senhor veio a tomar aquela Azenha do Rolim, que era do bisavô da mulher do Senhor Manuel de Sousa. Mais tarde as propriedades de Manuel de Sousa terão sido administradas por José Xavier de Valladares de Sousa em um outro vínculo instituído em 1772. Parece que este Senhor José Xavier de Valladares de Sousa terá sido descendente à quarta ou quinta geração de Rui Teles, e descendente ainda mais afastado de Martim Vaz de Sousa que originário de Família de Montemor-o-Novo, viveu em Triana ( Alenquer ) em 1515.

 

Fontes: - Alemquer e o Seu Concelho, de Guilherme João Carlos Henriques-1873

                 Inéditos Goesianos (I), de Guilherme João Carlos Henriques-1894

                 O Morgadio em Portugal, sécs. XIV e XV, de Maria de Lurdes Rosa, Editorial Estampa.  

             O Concelho de Alenquer,4, dos profs. António de Oliveira Melo, António Rodrigues Guapo,

                                                                    e Padre José Eduardo Martins.

                 A Princesa Santa Joana e a Sua Época, de Mons. João Gonçalves Gaspar-edição Câmara

                                                                                        Municipal de Aveiro -1988.

                 Alenquer Medieval, de João Pedro Ferro.

 

                                                             Carlos Nogueira ( lic. em economia )

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