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história de igrejas

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A ANTIGA IGREJA DE Nª Sª DAS VIRTUDES, NA FREGUESIA DE VENTOSA

Esta antiga Igreja está actualmente em ruínas. Localiza-se junto do cemitério da freguesia de Ventosa, numa área de planalto que se chamou Ventosa e daí terá derivado o nome do lugar de Ventosa e posteriormente a organização administrativa da freguesia que conta com as povoações de Quentes (antes Quinta Dos Quentes), Atalaia, Cortegana, Penafirme da Ventosa, Labrugeira, Penedos, Vila Chã, Casais Galegos e outras de menor população.

A Igreja de Nossa Senhora das Virtudes, constituia a Igreja Paroquial da freguesia de Ventosa. Antigamente, em termos de organização eclesiástica, a freguesia era anexa de S. Tiago de Alenquer e a receita do dízimo, que era de muita valia, tinha a seguinte distribuição: um terço para a mitra patriarcal; um terço para o prior de Ventosa; o restante terço era por sua vez, assim distribuido: duas partes para os frades de Alcobaça, a que corresponde a dois nonos e o restante para o prior da Igreja de S. Tiago, que representava um nono ( de notar que a soma de dois nonos com um nono dá três nonos ou seja um terço). Tratou-se de uma divisão feita em 1475 pelo arcebispo de Lisboa, D. Jorge da Costa.

Guilherme J.C. Henriques informa-nos na sua obra "Alemquer e o Seu Concelho" que esta Igreja deveria datar de meados do século XVI ( portanto por volta de 1550, mais ou menos ) e ocupou o local de um outro templo mais antigo. Considera que a antiguidade deste templo poderá remontar à época dos Templários pelas cruzes que ele detectou nas lageas do alpendre de entrada; sinais gravados que hoje já não conseguimos descobrir. A Igreja de Nossa Senhora das Virtudes possuia pesadas colunas e arcos góticos que separavam as naves laterais da nave central, e além do altar-mór existiam mais quatro altares: de S. Pedro; S. Sebastião; Santo Antão e Nª Sª do Rosário. Poder-se-á deduzir que um deles seria no local onde hoje há um arco de passagem de acesso ao cemitério. Hoje a Igreja ostenta apenas as paredes laterais com restos de forro de azulejos enxaquetados, que seriam de grande valor; a parede-fachada, que na parte cimeira ainda acusa determinada beleza artística pela simetria da sua constução encimada com notável cruz de alvenaria; a torre sineira cuja cobertura é feita por pirâmide quadrangular; e o altar-mór bastante degradado, e que hoje está vedado com alto portão gradeado. Ao entrarmos na torre sineira deparamos com a pia baptismal, muito tosca, formando um prisma octogonal. Na parte exterior desta torre há uma placa que diz ter sido a Igreja edificada por subscrição paroquial e mais donativos em 1899. Talvez tenha sido por esta ocasião, que as obras tiveram conclusão, mas teriam começado talvez uns 20 ou 25 anos antes, aproveitando, eventualmente, um subsídio ou donativo concedido pelo Estado no período em que o Senhor Sebastião José de Carvalho, 1º Visconde de Chanceleiros esteve como ministro das Obras Públicas, no gabinete do Duque d'Ávila ou do de José Dias Ferreira. Aliás, o Senhor Visconde de Chanceleiros fora um abastado proprietário desta freguesia, tendo nascido em 1833 na sua Quinta do Rocio e falecido também aí em 1905. Pessoa de discurso eloquente, bacharel em Direito e com grã-cruz de duas ou três Ordens. Travou uma empolgante batalha, entre 1882 e 1887, contra a praga da filoxera que dizimou as vinhas do concelho e até do País; com processos que estudou e experimentou, utilizando bacelos americanos, alcançou a vitória, embora se tenha arruinado com as grandes despesas que assumiu, mas fez renascer a esperança para os viticultores do País readquirindo-se uma das maiores riquezas agrícolas do País - o vinho. Vem a propósito, talvez, dizer que em anexo à Igreja de Nossa Senhora das Virtudes existiu o Casal da Igreja, assim chamado por ser pertença da Igreja. Tratava-se de extensa quinta onde apenas vivia o caseiro e sua família, e que em termos de terra arável, não era mais do que terreno de charneca que julgamos ter sido comprada pelo Senhor Visconde de Chanceleiros que a transformou numa rendosa e próspera propriedade de vinha, que deu trabalho e salário a muitas pessoas, e que julgamos a ter adquirido muito antes dos terríveis anos da doença provocada pela filoxera.

A localização da Igreja é de tal modo afastada das povoações, em lugar ermo e de grande isolamento, que talvez, até esse facto tenha contribuído para acelerar a ruína do templo. E por estar tão isolada, não possuia sacrário, e o Santíssimo, passou a estar guardado e presente na Igreja do Espírito Santo, de Atalaia, estando, provávelmente, agora naquela que funciona como Igreja Paroquial, que é a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, entre Atalaia e Cortegana, não longe da Quinta do Rocio.

No pavimento interior das Ruínas desta Igreja ainda se podem observar pedras tumulares que corporizam ainda a memória de pessoas ilustres do passado, ligadas à freguesia da Ventosa ou da Quinta da Dos Quentes; uma delas constitui um túmulo encimado com brasão, que deverá ser " dos Rebelos ". Parece não nos termos equivocado, com a consulta feita aos autores abaixo referenciados nas fontes 1 e 2; assim compulsámos que a sepultura é de António Rebello d'Almeida e nela sepultada sua mulher D. Catarina Coutinha, falecida esta em 6 de Janeiro de 1606. Portanto conserva-se aí, ao cimo do corpo da Igreja , lado direito, há quase 400 anos ou mais, se construída pelo Senhor Rebello, antes de sua esposa ter falecido. O brasão deveria revelar grande imponência pela imagem que dele ainda hoje se discortina, passado tanto tempo. Está, como é natural, bastante arruinado pela erosão do tempo; deveria constituir-se no seu campo por três faixas com flor-de-lis, dispostas em banda; e em seu timbre teria esculpido um leopardo com flor-de-lis no frontal da cabeça. Práticamente já nada disto se consegue descobrir com nitidez. Uma outra campa é ou era a de André Roiz e de sua mulher Luiza Manoel e herdeiros; julgamos que se relacionaria também com os "Rebellos" ou "Rabellos" se pensarmos que o apelido Roiz terá derivado de um descendente de Rabello, de nome Paio Delgado, que viveu no reinado de D.Afonso III, o ter tomado pelo nome do seu solar de Roiz, na zona do Porto. Uma outra sepultura importante, é a que respeita a um Senhor Francisco Ferreira Vellez, falecido em 28 de Setembro de 1577. Em relação a esta personalidade há algum "mistério" de verdadeira identificação. Guilherme J.C. Henriques, diz que julga ter sido filho de Francisco Ferreira, da Quinta da Dos Quentes, e que em 1553 era confrade do Espírito Santo, e casado com D. Maria Viegas Rebello. Porém nas "Portarias do Reino" regista-se o nome de um Senhor Francisco Ferreira Vellez que teve assinalável relevo nas praças africanas de Marrocos, ( Azamor e Safim ), mas aqui diz-se que é filho de Simão Ferreira Velez, que foi alcaide-mor de Aldeia Galega da Merceana e que serviu em Cambaia, na Índia e foi morto em Chaúl (Índia) em 1521. Salvo outra melhor fundamentação, perfilhariamos a hipótese primeira, a de a sepultura ser do filho de Francisco Ferreira, da Quinta da Dos Quentes.

Fontes: 1. O Concelho de Alenquer, dos Profs.

António de Oliveira Melo, António

Rodrigues Guapo e Padre José Eduardo

Ferreira Martins.

2. Alemquer e o Seu Concelho, de Guilherme

João Carlos Henriques-l873

3. Ribatejo Histórico e Monumental, de Fran-

cisco Câncio - 1938

                    Carlos Nogueira

 

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