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   A ANTIGA ERMIDA DE Nª Sª DA REDONDA, JÁ DESAPARECIDA.

    --  Poderá ter sido um pólo ou filial, em Alenquer, do importante Convento de

         Celas, em Coimbra.

 

    O que hoje dela resta, são apenas umas velhas mas resistentes paredes que servem de alicerces a uma moradia junto ao Rio Alenquer, no local onde existiu a antiga Ermida de Nª Sª da Redonda, entre a ponte da torre da Couraça e a ponte do Barnabé, e não longe do actual parque das tílias ou parque de merendas.

    Com as diversas cheias e depois de se ter construído um açude junto à antiga fábrica do papel, as águas foram recuando e a Ermida acabou por ficar soterrada. Acontece até que, antes, a Ermida estava na margem esquerda do Rio e talvez devido às grandes modificações das correntes o Rio desviou-se e a Ermida passou a situar-se no lado oposto, isto é na margem direita. Era uma das ermidas mais estimadas e concorridas de Alenquer, possuindo um ermitão, como guarda da capela, nomeado pelos Condes dos Arcos, os últimos possuidores da área.

    A Imagem da Nª Sª da Redonda, que na realidade era Nª Sª dos Prazeres, era pequeníssima, de um tamanho de mais ou menos, só 25 cm, estando a Senhora sentada, com o Menino em pé sobre o regaço e colocada num tabernáculo de madeira com colunas. Foi levada para a Igreja de S.Francisco e depois transferida para o Oratório do Salvador, em Lisboa, onde parece ainda lá se conservar, identificada com uma velha etiqueta.

    Sobre a construção ou fundação desta ermida, a data ou época é desconhecida, presumindo-se remontar ao tempo em que a Infanta D.Sancha era a donatária real de Alenquer. A Infanta era filha de D.Sancho I e da Rainha D.Dulce, tendo nascido em Coimbra, talvez, por volta de 1180. É provável que depois de 1211 a Infanta D.Sancha residisse em Alenquer. Nesse ano faleceu D. Sancho I em Coimbra e lá estiveram  D.Sancha, D.Teresa, D.Mafalda e os infantes D.Afonso e D.Pedro. Sendo donatária de Alenquer, em 1222, a Infanta D. Sancha funda o Convento de S.Francisco e em Alenquer recebe em 1219 os Cinco Frades que S.Francisco enviara de Assis para evangelizar Marrocos. Estes frades teriam passado antes por Coimbra, e aí também D.Sancha os terá recebido. A Infanta, funda, também, em 1215, o Mosteiro de Celas, da Ordem Cisterciense, na sua propriedade de Vimarães, perto de Coimbra. Os frades tiveram idêntico recolhimento e incentivo da Infanta D.Sancha para eles prosseguirem com a sua empresa evangelizadora. E em simultâneo, com o de Celas, a Infanta D.Sancha ou fundou ou deu continuidade, ao pequeno mosteiro e Ermida de NªSªda Redonda, de Alenquer. Julga-se ter sido elaborada uma escritura entre D.Sancho II e suas tias, entre elas a Infanta D.Sancha, na qual se escreve existir em 1224 esta ermida de Nª Sª da Redonda de Alenquer. Para o Mosteiro de Celas de Vimarães, de Coimbra, iam as donzelas enceladas ou emparedadas, como assim eram chamadas as mulheres recolhidas na Nª Sª da Redonda, de Alenquer. Seriam apoiadas e orientadas pela própria D.Sancha, enquanto esta viveu, e iam para aquele Mosteiro Real de Celas, receber instrução na austera regra de S.Bernardo. Quando os Cinco Mártires de Marrocos, sofreram o martírio, em 1220, naquele país do norte de África, encontrava-se, também lá, o infante D.Pedro, irmão de D.Sancha, e ele procedeu à recolha e trasladação dos corpos, cujas relíquias seriam extremosamente recebidas pela Santa Infanta D.Sancha. Vieram para Coimbra,  para o Mosteiro de Santa Cruz. A Infanta D.Sancha, que não quiz casar, não obstante saber que o Rei de Espanha a pretendia, recolheu a Convento de Celas, onde professou, vivendo entregue à penitência. Poderemos ter em conta que a Infanta D.Sancha viveu na mesma época em que viveram Santo António (1195-1231) e S. Francisco (1182-1226) sendo muito natural, que fosse tocada, na sua sensibilidade, pelos exemplos e feitos virtuosos destes Santos Franciscanos. Morre em 1229 e a sua irmã, infanta D. Teresa, manda que o corpo seja sepultado em Lorvão, de cujo Mosteiro passa a irmã sobrevivente a ser governadora. A Infanta Santa Sancha, foi muito mais tarde beatificada, pelo Papa Clemente XI, em 1704. O Convento de Celas, entre 1520 e 1615, foi objecto de  profundas reformas com as ilustres abadessas D. Leonor de Vasconcellos, D. Maria de Távora e D. Helena de Noronha.  Mas, ainda, no século XV, depois de 1400, as religiosas de Celas de Coimbra, senhoras de domínio directo, aprazaram as terras de Alenquer, a Martim de Távora, que foi avô materno de D.Henrique de Noronha, de que falaremos mais à frente, terras onde se localizava a Ermida de NªSª da Redonda, o chamado Reguengo de Alenquer, e onde também existiam três azenhas: o moinho do Catarrasco; o moinho da Azinhaga e o moinho da Portela. O "Prazo" consistia numa propriedade constituída em enfiteuse, na qual o senhorio recebia do enfiteuta uma pensão anual pelo uso útil que este fazia da propriedade. Depois das religiosas de Celas, este Prazo passou para as mãos de D. Brites de Ataíde, que era a mulher de Martim de Távora, e depois para a sua filha, D.Catarina de Távora, que casou com  D. Pedro de Noronha.  Em 1472 o contrato de aprazamento, em três vidas, foi renovado, pertencendo em primeiro lugar a D.Pedro de Noronha, e depois, a seu filho D.Henrique de Noronha. Este Senhor adquiriu o domínio directo, ou seja, comprou as terras do reguengo, onde se localizava a Ermida. A D.Henrique de Noronha sucedeu, na posse dos bens, seu filho D.Leão de Noronha que viveu entre 1510 e 1572, morrendo com fama de santo, pelos actos de caridade e de protecção para com enfermos, doentes e abandonados. Não é de esquecer que três anos antes da sua morte, grassava no País a terrível peste de 1569, de que já fizemos referência num outro nosso trabalho.

    A Ermida de Nª Sª da Redonda funcionaria como convento de recolhimento de mulheres que seguiam a austera disciplina da Ordem de Cister, e pelo regime de clausura, eram designadas popularmente de "mulheres enceladas" ou "emparedadas". A designação de Redonda tinha a ver com a forma circular da sua construção. No entender do autor de "Santuário Mariano", Frei Agostinho de Santa Maria, a forma circular poderia ter sido uma imitação em miniatura do Panteão Romano. A ermida teria 50 palmos de diâmetro, o que equivaleria a uns 13 ou 15 metros. Para encontrar o seu comprimento circular, ou seja o perímetro de círculo, bastará multiplicar por 3,14 (pi),  e termos um comprimento aproximado de, a toda à volta, 40 metros de parede circular. Essa forma cilíndrica permitiria que as " mulheres emparedadas", uma em cada sua cela, pudessem em redor de um altar ao centro, acompanhar os serviços religiosos presididos por uma abadessa. A Nª Sª da Redonda era ainda muito popular entre 1600 e 1700, tanto em Alenquer como em regiões visinhas. O prior da Igreja de  S.Tiago dizia em 1634, que havia uma Irmandade de devoção a esta Ermida. E o Padre Luis Cardoso, noticiava que em 1740 a Ermida  encontrava-se em bom estado de conservação.

 

 

  Fontes: - Alemquer e o seu Concelho, de

                     Guilherme João Carlos Henriques.

                - Ribatejo Histórico e Monumental, de

                                                                                                   Carlos Nogueira