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O Antigo Convento de Nª Sª da Conceição de Alenquer

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      O ANTIGO CONVENTO DE Nª Sª DA CONCEIÇÃO, de ALENQUER

 

   Na encosta entre a Igreja de S. Francisco e a de S. Pedro, existem ainda grandes porções de altos muros, que formavam as paredes de vedação de uma cerca de grande superfície onde no seu interior estava edificado um Convento de Freiras da Ordem de Santa Clara, de invocação de Nª Sª da Conceição. Podemos admirar ainda o bloco arquitectónico de forma cilindrica com pequena abóboda, que talvez correspondesse à Capela-Mór daquele Convento. Uma extensa parede ainda bem conservada, serve de vedação da área do quartel da GNR de Alenquer; e outros grandes bocados de muros, que quase se confundem com muralhas,  são visíveis em outros locais, e até uma parte deles está a ser "reconstruída" ou a beneficiar de obras de reforço, o que é bom de registar.

   O Convento foi fundado em 1553, por João Gomes de Carvalho, que foi fidalgo da Casa d'El-Rei D.João III, e que se julga ter sido mestre notável em letras, na Universidade de Coimbra. O genealogista Felgueiras Gayo diz que se desconhece a ascendência de João Gomes de Carvalho e que foi para a Índia onde ganhou fortuna e que de uma turca mui formosa teve António Gomes de Carvalho. Ao mandar construir este Convento, João Gomes de Carvalho, reservou para si o Padroado e a Capela-Mór; o primeiro constituiu um direito de protector por ele ter fundado o Convento e ao mesmo tempo, o padroado foi o território onde se exerceu esse direito; na capela-mór seria ele sepultado e os seus descendentes. Foi elaborado um contrato e mais tarde um Regulamento, onde entre diversas cláusulas se descreviam as seguintes: o fundador tinha o direito de apresentar seis lugares para freiras, sem entrega de dotes, e os seus descendentes, preferindo sempre o filho varão mais velho, podia apresentar dois lugares perpéctuos para freiras, sem nada pagarem; o padroado apenas poderia lançar mão das suas "legítimas" por morte; se as freiras não fossem da família do fundador e dos descendentes, só seriam admitidas mulheres nobres. Estas regras foram confirmadas pelo Papa Xisto V, em 1588, e entraram em vigor, ou em execução prática, já no tempo do filho do fundador, que era António Gomes de Carvalho.

   O Convento foi apadrinhado pela Rainha D.Catarina, mulher de D.João III, e quando viúva, visitou-o com frequência, fazendo-lhe dotações pecuniárias. O Rei D.Sebastião, neto daquela Rainha, deu ao Convento a propriedade de nome Freiria que se situava próximo e havia pertencido aos Freires de Cristo. Esta doação ter-se-á dado em Maio de 1572. João Gomes de Carvalho terá falecido em 1587, passando o Padroado ao seu filho e parece que esta posse esteve nas mãos dos descendentes de linha recta, do fundador, durante uns 130 anos. António Gomes de Carvalho, o segundo possuidor do Padroado, e por isso o 2º padroeiro, recebeu o vínculo do morgado dos Carvalhos  que julgamos havia sido instituído pelo seu pai, tendo o Padroado do Convento sido registado mais tarde como anexo aos morgados dos Carvalhos e Macedos, quando associados. António Gomes de Carvalho, tinha casado com D.Briolanja de Macedo. Por sua morte, passou o padroado para Sebastião de Macedo de Carvalho, e falecido este, no estado de solteiro, sucedeu no morgado e padroado o irmão Francisco de Macedo e Carvalho, que casou com D. Maria de Vasconcellos, sua prima. Entretanto, julgamos, que o irmão destes, outro filho de D.Briolanja, de nome Jerónimo de Macedo de Carvalho terá instituído o morgado dos Macedos, de Alenquer. O irmão Francisco de Macedo e Carvalho faleceu em 1651, e o vínculo passou ao seu filho que também tinha o nome de Sebastião de Macedo Carvalho, nome igual ao de seu tio. Julgamos que a sucessão do padroado do Convento se deu ainda para o filho deste, de nome Sebastião de Macedo Carvalho e Meneses, que tendo falecido solteiro em 1673,  passou por sentença, julgamos judicial, a favor de Gonçalo Peixoto da Silva Almeida Macedo e Carvalho. E este Senhor era bisneto de D.Briolanja, porque a sua filha, D. Isabel de Macedo havia casado com Manuel Peixoto da Silva, filho de um famoso general do tempo do rei D.Sebastião, de nome Pedro Peixoto da Silva. Depois de Gonçalo Peixoto da Silva Almeida Macedo e Carvalho, o padroado do Convento e o morgado dos Macedos e Carvalhos passou a João Peixoto da Silva Almeida Macedo e Carvalho, filho daquele, que casou com D.Izabel Bárbara Henriques de Meneses, em 1709, Senhora da Família dos Lobos de Alenquer, por parte de sua mãe. O padroado passou a seu filho Gonçalo Thomaz Peixoto da Silva Almeida Macedo e Carvalho e posteriormente para o descendente à terceira geração, que julgamos ter sido em nome de João Pedro Peixoto da Silva Almeida Macedo e Carvalho, que seria já o 11º Padroeiro do Convento das Freiras, tendo nascido em Alenquer, em 1825, e que desempenhou inúmeros e importantes cargos, sendo coronel de Infantaria e Cavaleiro das Ordens de Cristo, S.Tiago e S.Bento, entre muitos outros títulos e mercês que dignamente lhe foram atribuídos. Entretanto, com as invasões francesas de 1810/11 as freiras foram transferidas, umas para Santa Ana de Lisboa e outras para o Convento da Castanheira, sendo a este adjudicadas, posteriormente, as rendas que se atribuiam ao Convento de Alenquer. Com a extinção das Ordens Religiosas em 1834, os Conventos entraram em decadência e em ruína, passando a maioria deles ao Estado e à posse de privados. Em 1860 a Cerca e casario do Convento passou para as mãos de Mr. Auguste Lafaurie, o fundador da Fábrica do Meio, que também já não existe. Parece que ele, e o irmão, que se terá suicidado, foram sepultados ainda na zona da Capela-Mór do Convento. Passou depois a propriedade para a sua filha D. Maria Carolina Augusta Lafaurie, mas em 1889 foi posta em venda em praça pública. O domínio útil foi adquirido por João Marques de Sousa Ramalho e o domínio directo por António Ferreira Campos, que anos depois também comprou o domínio útil.

   O século XX já lá vai, e hoje essa Cerca com o que resta do Convento, possuindo ainda e também algumas casas-dependências, que servem de habitações, continua a constituir propriedade privada. Poderá, em nosso entender, vir possivelmente a ser objecto de reconversão, no futuro, esperando que o seu actual proprietário concorde em preservar o bloco cilindrico ou octogonal, com pequena cúpula, que talvez seja uma boa parte da capela-mór que resistiu no grande decurso de quase quinhentos anos. 

 

 Fontes: Alemquer e o Seu Concelho, de

                  Guilherme João Carlos Henriques - 1883

                                                                    Carlos Nogueira

 

     

 

 

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