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   O LUGAR DE ARNEIRO E A SUA CAPELA DO ESPÍRITO SANTO

 

   Segundo os etimologistas, a designação Arneiro, quer dizer " um areal; terra; monte; ou praia cheia de areia". Não sabemos a que tempos remonta a formação do lugar de Arneiro, da freguesia de Aldeia Galega. Hoje, contornando esta pitoresca aldeia, podemos observar férteis campos, bem lavrados, onde uma grande parte da população vive da agricultura. Segundo um depoimento do historiador Guilherme João Carlos Henriques, existia na sua época, na segunda metade do século XIX, uma ermida em estado de ruína da invocação do Espírito Santo, e em anexo um hospital. Este foi desanexado e a ermida parece que estava em ruína por volta de 1870. Em frente situa-se uma magnífica propriedade que era do Sr. Francisco da Costa Leal e segundo informações de residentes, a Capela terá, em tempos remotos do século XVI, pertencido a esta quinta, e teria até existido uma passagem de ligação subterrânea. Por sua vez, o Padre Carvalho da Costa, dava também conta nos seus escritos do começo do século XVIII, portanto a partir de 1700, da existência desta Ermida do Espírito Santo, com hospital. Através do Livro de Visitações desta Capela, constata-se que ela já estava revestida de azulejos em 1727.

    A Capela do Espírito Santo é o emblema do património religioso do Arneiro. A entrada da Capela é protegida por um característico alpendre e por cima dele está exposto um pequeno painel de azulejo alusivo ao tema do Espírito Santo. É, com efeito, importante o valor patrimonial e cultural do recheio artístico que a Capela do Arneiro possui. A nave, embora pequena, está inteiramente revestida com azulejos do século XVIII (1700-1799). A toda a volta, desenrola-se um silhar de azulejos tipo "abarradas" com paineis historiados. Por cima do arco do cruzeiro há uma preciosa tábua maneirista com o tema " A descida do Espírito Santo". Nos espaços laterais em relação ao arco, há " Nossa Senhora da Conceição " e " A Assunção da Virgem ".

    Nas paredes laterais e nos espaços que ladeiam a porta principal, há um conjunto de paineis reportados ao nascimento e primeiros tempos de vida de Jesus Cristo; assim: "a Adoração dos Pastores", "a Adoração dos Magos", "o Encontro da Virgem com Santa Isabel", "a Fuga para o Egipto", "a Apresentação de Jesus no Templo". Muito curiosa e interessante foi a lembrança de quem imaginou e decidiu estabelecer numa das paredes a reprodução em azulejo, do púlpito de madeira que está na parede oposta.

    A Capela-Mór é uma pequena jóia de arte. Tem um belo retábulo de talha dourada , executado em 1742, e nele se destaca um baixo relevo, com o tema do "Pentecostes" em talha policromada. Completam a decoração da Capela-Mór, duas telas setecentistas: "A Virgem com o Menino Jesus, Santa Isabel e S.João Baptista" e " S.João Baptista anunciando a chegada de Jesus". O tecto da Capela-Mór é em madeira pintada com o tema do "Espírito Santo", rodeado de motivos ornamentais ao gosto do Século XVIII.

    A Capela do Espírito Santo, do Arneiro foi recuperada em 1996, com uma intervenção mais profunda na área dos azulejos, pelo plano global de intervenção preparado pela Associação de Desenvolvimento Local, credenciada como Centro Rural de Desenvolvimento, (Centro Rural Aldeia Galega da Merceana), tendo o apoio do PPDR-Promoção do Potencial de Desenvolvimento Regional.

    Fora do lugar do Arneiro, mas não longe, existe a quinta de S. João, em cuja capela há um baixo-relevo no retábulo do altar representando "A descida do Espírito Santo sobre a Virgem e os Apóstolos". A capela desta Quinta possui uma notável imagem de S.João Baptista ( o padroeiro da Quinta) e S.João, nessa imagem, segura um medalhão com o cordeiro místico. Por um residente vizinho, tomamos conhecimento que os azulejos da Capela desta Quinta foram ofertados pelo seu proprietàrio, à igreja de Paiol. Daqui podemos inferir de quanto importante foi neste local do Arneiro e sua vizinhança ( Aldeia Galega ) como, de resto, em outras freguesias de Alenquer, como Ota e Ventosa, por exemplo,  a devoção e fé consignada por muitos anos ao Divino Espírito Santo, tradição religiosa fortemente enraízada no concelho de Alenquer, que dele se expandiu para todo o Portugal e o Mundo onde chegaram os  nossos navegadores e posteriormente as emigrações de concidadãos. Aliás, o concelho de Alenquer guarda um conjunto patrimonial de grande valia de invocação ao Divino Espírito Santo, de que são testemunhos as Igrejas de Ota, Atalaia e Alenquer e as Capelas de Aldeia Galega, Aldeia Gavinha e Arneiro, de que já nos referimos sumáriamente em um outro nosso trabalho ( jornal N.V. edição de 31/8/2000 ).  Em algumas das capelas, por exemplo na do Arneiro e de Aldeia Galega ainda  existem em inventário físico, as coroas do imperador, do tempo das Festas Imperiais do Espírito Santo no concelho de Alenquer.

   Ainda dentro da povoação do Arneiro, e na rectaguarda da Capela do Espírito Santo, na direcção, em que a nossa vista alcança o Convento de Santo António de Charnais, localiza-se, ao fundo da aldeia a "Fontinha do Arneiro" que encerra um alto simbolismo lendário sobre o aparecimento da Imagem de Nª Sª da Piedade, da Merceana. A tradição diz que foi neste local, caracterizado, antes, por um fundão de águas, e no qual existia um carvalho, onde se vinha recolher o boi Marciano, desertando da manada bovina que pelos campos pastava e provinha da quinta de Chocapalhas, à qual pertencia a manada. A árvore, já não existe actualmente, tendo "secado" ainda há poucos anos, pois que ainda aparece em fotografias tiradas pela ADL, aquando do estudo de projecto de recuperação desta Fonte. Em tempos atrás, foram construídos lavadouros junto à Fonte que no lado ascendente possui um poço murado e fechado, lavadouros para serventia da população, e que hoje já lá não existem. A Fontinha do Arneiro, que ao nível do seu piso térreo, foi elevada alguns centímetros, ostenta um bonito painel de azulejos a azul e branco onde está figurada a história do aparecimento de Nª Sª da Piedade ao Boi Marciano.

 

Fontes: O Concelho de Alenquer, dos Profs. António de

                Oliveira Melo, António Rodrigues Guapo e

                Padre José Eduardo Ferreira Martins.     

                                                                      Carlos Nogueira