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história de igrejas

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  A IGREJA DE S. PEDRO, DE ALENQUER

 

   Não se sabe com exactidão o ano de fundação desta antiquíssima Igreja, que foi uma das cinco paróquias da Vila de Alenquer.

   Em 1758 o Padre Pedro da Silveira, declarava nas suas "Respostas" que esta Igreja era a segunda em antiguidade, a seguir à de Santo Estevão. Segundo documentos da época,  há indicações de que ela já existia em 1239, porque numa "carta de venda", pela qual a Infanta D.Constança Sanches comprou uma vinha se dizia que esta confrontava a nascente com vinha dos clérigos de S.Pedro e a poente com Estevão Joannes, clérigo de S.Pedro ( em Torre do Tombo, Gav. 13, Maço 9 - nº43 ).

    A freguesia de S.Pedro existia em 1241 e perdurou até pouco depois de 1850, sendo nesta época anexada à freguesia de Santo Estevão. Parece que a Igreja não resistiu ao terramoto de 1755 e diz-se que depressa foi reedificada. Porém, Guilherme João Carlos Henriques, diz que a visitou demoradamente em 1901 e descobriu no exterior da porta principal a data de 1706. Já por lá andamos mas sinceramente não conseguimos ver nenhuma data. Também já passaram 100 anos... E até pode ter sucedido a Igreja ter ficado muito danificada em 1755, ela ter tido obras naquela data de 1706, a porta ter escapado e resistido, ter sido voltada a colocar de novo, e depois ter havido novas obras depois do terramoto de 1 de Novembro de 1755.

   O Padre Luis Cardoso dizia que antes de 1755, a Igreja, no seu interior, tinha as seguintes dotações: no altar-mór havia um retábulo com painel representando S.Pedro recebendo as chaves; na ala direita estava a Imagem de NªSª do Ó. Na ala esquerda havia a Imagem de NªSª das Angústias. No corpo central da Igreja havia três capelas: uma de Santa Ana; outra de S.Francisco Xavier, administrada pelo Sr.Martinho de Sousa e Sá (de Lisboa); a terceira dedicada ao Santo Cristo, e administrada pelo Dr. Bernardo Pereira de Gusmão.

   Depois, em 1872, Guilherme João Carlos Henriques, informa que a Igreja apresentava sinais de degradação e até de ruína. Ele dá-nos desta vez conta de como estava apetrechada a Igreja, quanto ao seu recheio de pinturas e obras de arte sacra. No altar-mór diz que agora se encontrava lá a Imagem de NªSª do Capítulo, que tinha vindo do Convento de S.Francisco. Actualmente, como sabemos está de novo nesta Igreja do ex-Convento de S.Francisco. Patenteavam-se também as Imagens de S.Pedro e S.Paulo. Actualmente confirmamos que estas Imagens lá se conservam; são aliás, Imagens originais desta importante Igreja. Depois informa que existiam em altares colaterais as seguintes Imagens: S.Paschoal Bailão; NªSª da Piedade; Santa Isabel; S.Francisco Xavier; Santíssimo Coração de Jesus e finalmente S.José de Cupertino. Acrescenta o mesmo investigador histórico de Alenquer, que estas Imagens tinham vindo do Convento de S.Francisco. Agora, e actualmente, nós pensamos que já voltaram de novo, à Igreja de S.Francisco. E aquele autor, ainda acrescenta mais, o que não deixa de ser interessante saber; diz que do lado esquerdo, não precisando bem, em que zona, havia o altar do Santíssimo com as seguintes Imagens: S.Bento, também originária de S.Francisco; Santo Estevão da extinta Igreja deste nome; e O Senhor Jesus dos Aflitos, própria desta Igreja.

   Em 1901, no primeiro altar, a seguir à pia baptismal, altar que hoje está vazio, estava a Imagem de NªSª de Soledade com o seu Filho morto ao colo, que julgamos ter sido transferida para o altar seguinte onde hoje está; e ainda havia naquele altar e naquele ano, S.Francisco Xavier e S.José Cupertino, Imagens estas que haviam apenas mudado de sítio, porque já fizemos referência delas, mais atrás, no ano de 1872. No altar a seguir desse lado esquerdo, na parte inferior, mantem-se, como tal está hoje, a vitrina, dentro da qual se recolhe a bela Imagem do século XVII de "O Senhor" Jesus Cristo, morto, em tamanho natural, e executada em madeira. Na parte superior existia antes, o Senhor Jesus dos Aflitos e uma outra Imagem de NªSª da Soledade. O soalho de madeira, do pavimento da Igreja,  foi posto de novo, talvez em 1898 ou 1899, assim como a colocação de mosaicos na capela-mor, obras custeadas pela Senhora D. Etelvina da Luz Oliveira e Carmo e pelo prior cónego Joaquim da Silva. Do lado direito e julgamos ter sido no altar mais próximo da porta, existia no seu retábulo, um brasão d'armas partido em pala com a representação das Casas dos Pereiras e dos Sás. Julga-se que seria o brasão de José de Sousa Pereira, falecido em 1689, e descendente dos fundadores deste altar ou capela, o Senhor Luís de Sá Pereira e esposa D.Catarina, que teriam sido da Quinta de Meca, e sendo da invocação de S.Francisco Xavier foi administrada por Martinho de Sousa e Sá. Era profunda e extraordinária a devoção por S.Francisco Xavier, que foi um prodígio do século XVI. Nascido em 1506, em Navarra, foi para a Índia e Japão, ao serviço de Portugal, a pedido do Rei D.João III, o Piedoso, por ser muito religioso. Este missionário da Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loiola, foi talvez o mais influente padre missionário; penetrante nos corações dos homens, dos pobres, dos doentes, dos condenados à morte pela peste e doença. S.Francisco Xavier morreu em 1552, em Goa, ficando sepultado na Igreja de S.Paulo, sendo venerado não só pelos católicos de todo o Mundo, mas também pelos índios não católicos e seguidores do maometismo. Poderá ser despropositado, neste trabalho, falar de outro assunto, de que me penetencio. Era nesta época de vida de S.Francisco Xavier, que Portugal procurava manter a todo o custo o seu império das especiarias na Índia. Os ataques dos Turcos eram sucessivos, e será de destacar o feito heróico do chefe militar português António da Silveira que se defendeu no cerco de Diu e desbaratou os Turcos, ficando o seu nome escrito na História. Também um outro descendente ilustre, filho do insígne Cronista Alenquerense Damião de Goes, Ruy Dias de Goes, tombou na Índia, no cerco de Chaúl, talvez à volta de 1560.

   Por cima do arco cruzeiro que estabelece a separação entre o altar-mór e o corpo central da Igreja, podemos observar com nitidez, o barrete pontifical esculpido em pedra e constituído por três corôas. Por cima dele e afixado à parede, já soubemos que existiu um quadro a óleo representando a Ceia do Senhor, cuja pintura foi retocada, mas o quadro não está lá, actualmente. O tecto do altar-mór retém ainda uma extraordinária pintura do século XVIII versando o tema da "Santíssima Trindade".

   Em 1940, a Igreja é beneficiada com novas obras de conservação e nela foi integrada uma vetusta capela quinhentista de incomensurável valor artístico, pelos arcos de tecto que ostenta, vinda da arruinada Igreja de Santa Maria da Várzea. Para essa Capela passou, acertadamente, o túmulo de Damião de Goes que foi classificado de Monumento Nacional em 16/6/1910. A lage tumular apresenta-se, infelizmente, rachada, e antes dela há uma tampa adjacente que oscila ao ser pisada, e que nos parece ser conveniente, dever estar bem fixa. A Capela foi classificada de Imóvel de Interesse Público, por Decreto nº 35443 de 2/1/1946. Para esta Capela foram transferidos todos os elementos componentes da velha Igreja da Várzea, ligados ao cronista e à sua esposa. Com efeito, os restos mortais do Cronista e de sua esposa foram trasladados para esta Igreja e Capela em 30 de Agosto de 1941. Na parede do lado esquerdo encontra-se a pedra dos brasões de Damião de Goes e de sua esposa Senhora D. Joana de Hargen. Em frente, por baixo do vitral de janela desta valiosíssima Capela, está uma imponente escultura, que nós diríamos ser única, e que é do entendimento geral ter sido trazida do estrangeiro por Damião de Goes e por ele oferecida à Igreja da Várzea: é o ECCE HOMO, que nos atreveríamos a imaginar ser a representação histórica de há dois mil anos, na expressão e apresentação de Pôncio Pilatos, perante a multidão: " Eis aí o Homem" , referindo-se a Cristo condenado à morte. Finalmente agora, na parede do lado direito há uma pedra com grande inscrição, do epitáfio do Cronista e a encimá-la está em escultura na pedra, a julgada figuração da cabeça do cronista Damião de Goes, falecido em 1574,  e a cruz de Cristo. Tem os seguintes dizeres:  "Deo Opt Maximº Damianvs Goes Eques Lusitanvs. Olim. Fvi Evropam. Vniversam. Rebvs Agendis. Peragravi Martis. Varios. Casvsi Laboresq. Svbivi Mvsae. Principes Doctiq Viri Merito Me Amarvnt Modo Alankercae Vbi Natus. Svm. HVnc Excitet Dies Illa Obiit Anno Salvtis MDLX.  A tradução para o português, é a seguinte, feita pelo historiador Joaquim de Vasconcelos : Ao Maior e Óptimo Deus -- Damião de Goes, cavaleiro lusitano fui em tempos; corri toda a Europa em negócios públicos; sofri vários trabalhos de Marte; as musas, os príncipes e os varões doutos amaram-me com razão; descanso neste túmulo em Alenquer, aonde nasci, até que aquele dia acorde estas cinzas. Morreu no ano da salvação 1560 -- "Este jazigo não passa aos herdeiros" Parece que esta frase imperativa foi mandada colocar pelo Cronista, posteriormente, mas ainda em sua vida, uma vez que morreu 14 anos depois, como aditamento ao seu epitáfio, supondo-se serem as letras maiúsculas H M H N S, que dá a ideia serem colocadas em espaço mais apertado.

    Em frente dos altares colaterais e na parte superior da Capela-Mór existiam em 1901 fragmentos de campas, que hoje já não conseguimos encontrar, mas que nessa data, foi possível retirar o significado das inscrições, conforme, aproximadamente,se desenvolve a seguir:

1. Um par de fragmentos que respeitaria à sepultura de Francisco Coelho Telles e porventura sua esposa Luiza Telles de Quental. Julgamos que esta Senhora fosse moradora na Portela e teria feito testamento em 1686, no qual indicou que desejava ser enterrada na Capela que passou a ser de Francisco Coelho Telles e na qual já estavam sepultados seus pais e irmãos. Francisco Coelho Telles deve ter exercido os cargos de vereador da Câmara e de juiz Ordinário entre 1632 e 1635.

2.Pedra de sepultura de Manoel Coelho Barreto que foi prior desta Igreja e administrava em 1647, o morgado de Telles , a cabeça do qual era a Quinta do Pinheiro, na freguesia de Santana da Carnota. Este prior aparece também com o nome de Manuel Telles Barreto, provávelmente por dedução do título daquele morgado. Este havia sido instituído por Ruy Telles, no século XV, talvez nos finais de 1400. Naquela data de 1647, o possuidor era o Senhor Francisco Coelho Telles referido em l. Em 1750, o morgado dos Telles de Alenquer estava na posse de António Telles Leitão de Lima e seu irmão José Xavier Valladares e Sousa. Este Senhor, foi famoso como Escrivão da Real Casa do Espírito Santo. Natural de Alenquer, possuiu o ilustre cognome de "Sícero Jerabricense" na Arcádia Lusitana, academia de Lisboa de escritores e poetas, constituída em 1756, onde se destacaram Correia Garção e o "irreverente" Barbosa du Bocage.

3. Junto à porta transversal do lado do Evangelho, havia duas campas iguais. A  primeira delas, quando se transpunha essa porta, era a sepultura de Antão Álvares, falecido à volta de 1570 e que participou com Francisco Coelho Telles (outro Telles de mesmo nome), nas cortes de Almeirim em 1544, representando a Vila de Alenquer, nas quais o príncipe D.João foi jurado. Este príncipe, que julgamos ser filho de D.João III,  teve com preceptor o célebre Cronista Alenquerense Damião de Goes, que entretanto estava a regressar de Flandres, e que parece, a preferência real pelo Cronista terá criado "amargos de boca" no Padre Simão Rodrigues, da Companhia de Jesus, que desejaria esse cargo para si.

4. No exterior da Igreja, lado sul ou sueste, encontramos um fragmento de uma campa de Álvaro Lopez  e sua mulher Izabel Gomez, o filho Estevão Gomez e de mais descendentes, pedra que tem porções de argamassa de cimento e que bem poderia estar resguardada em lugar mais apropriado, como atitude de respeito pelos falecidos antepassados, decerto, naturais de Alenquer.

 

 Fontes: Alemquer e o Seu Concelho, de Guilherme Joao Carlos Henriques  1902

 

                                     Carlos Nogueira