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   IGREJA E ANTIGO ORATÓRIO CONVENTUAL DE SANTA CATARINA, DE ALENQUER

 

 

    Situada à direita de quem vem do Carregado para Alenquer, a poucos metros da ponte sobre o Rio, o que antigamente era a Estrada Real, esta igreja provém de uma antiga ermida da invocação de Santa Catarina, que remonta à época do século XIII; portanto há volta de 800 anos.

    O terreno desta  Casa, que ainda actualmente contemplamos, pertencia à Corôa e associado à Vila de Alenquer, foi administrado pela Infanta D.Sancha, filha de D.Sancho I, o Povoador. Além de ter sido erigida esta ermida, uma outra fora também construída, mas esta dedicada a S.Jerónimo.

    Quando chegaram a Portugal, os frades Zacarias e Gualter da Ordem de S.Francisco, a Santa Sancha deu-lhes este espaço, onde parece que eles construíram casas para se recolherem. Passado algum tempo o núcleo de Franciscanos passou para o Convento de S.Francisco, fundado sob os auspícios daquela Santa Infanta, e os terrenos da àrea de Santa Catarina voltaram para a Corôa. A ermida foi anos mais tarde arrasada por catastróficas cheias do Rio de Alenquer e a Imagem de Santa Catarina foi transferida, a tempo de se salvar, para o então convento da Carnota.

    Pelos profícuos trabalhos do Senhor Guilherme João Carlos Henriques, viemos a saber que a instituição do primeiro vínculo de morgadio de Santa Catarina foi outorgado por Lourenço Martins em 1330, depois de este Senhor ter edificado nova ermida, que bem pode ser aquela que se configura aproximadamente com a actual. Essa ermida chegou a ter quatro capelães para celebração de missas por alma do fundador. Sucedeu no vínculo Afonso Lourenço que não deixou geração. O continuador foi João Vaz nomeado pelo guardião do Convento de S. Francisco, que para isso tinha poderes, com a subsequente aprovação do Rei D.João I. João Vaz casou com Catarina Paçanha, de cuja união houve numerosos descendentes e o vínculo perdurou durante séculos. Porém, em 1508 0 administrador do vínculo, cedeu a ermida, as casas e a cerca aos frades franciscanos, que aí estabeleceram um oratório, e, em número de cinco frades de missa, tomaram posse da casa, modificando-a, mas tão só em compartimentos estritamente necessários à sua modesta acomodação. A igreja de traça seiscentista bem como as casa circundantes, ligadas paredes meias com aquela, foram projectadas pelo frade André de S.Bernardino e as obras terminaram em 1623, data que ainda hoje se conserva na fachada voltada para a estrada nacional. Curioso é que, estas casa envolvem a Igreja delimitando-a no seu comprimento. São casas com uma reduzida largura mas com extenso comprimento possuindo janelas e postigos do lado do terreiro do antigo laranjal do Pinto, de José Delgado Pinto; do lado da estrada e fazendo gaveto com a fachada de entrada da Igreja, as casas possuem maior largura  com janelas mais largas.  Felizmente, hoje ainda podemos observar e admirar o pequeno claustro da igreja de Santa Catarina, tal como o seria no tempo destes frades. Ao centro, há um poço, sempre com água, e que foi construído pelos frades. O desgaste da pedra mármore da parede do poço atesta, pelos regos profundos nela vincados, o roçar das cordas e correntes que durante séculos, e pela força braçal, para retirar, com  baldes de folha,  a água do profundo poço. Hoje, esse poço possui um cano e no exterior junto à estrada ainda se pode ver uma bomba manual que o público e viajantes utilizariam para saciar a sede nos dias de Verão. Constitui ela, uma autêntica peça de museu, na rua, e que ninguém nela põe os olhos. Numa das paredes do claustro, parece ter havido uma lage com inscrição em latim cuja tradução segundo Frei Esperança, seria a seguinte: " Casa Santa, conventinho Sagrado, cinco flores pequeninas mas formosas e alegres, de cor rosada e suavíssimo cheiro destes a Deus pelo Santo Martírio. Estas são as primícias e flores gloriosas das mesmas que já possuem venturosas o reino dos Céus. Nunca a ti, Casa de Deus faltem perfeitos frades, os quais guardem devotissímamente o Santo Evangelho."  Em nosso modesto entender, este alegórico epitáfio, será uma homenagem aos cinco mártires de Marrocos, que a Santa Infanta D. Sancha aqui recolheu antes de se dirigirem para Marrocos onde foram degolados. Visitámos há pouco tempo este claustro mas não conseguimos descobrir esta pedra, talvez devido ao abandono e estado de degradação a que o mesmo foi votado. Mas o que observamos e admiramos, isso sim, foram as cinco esculturas que representam os bustos dos cinco frades mártires e que estão conservados na sacristia desta Igreja. Mas ainda voltando ao pequeno claustro, aí podemos testemunhar a existência duma lápide na parede relativa à sepultura no chão do Rei do Pegu. O rei foi um Português de têmpera, e o Pegu foi um Estado do grande império Indo-China, mais própriamente na Birmânia.  Decorria o fim do século XVI, portanto 1590/99 e Salvador Ribeiro de Sousa, comendador da Ordem de Cristo, natural de Guimarães fora eleito Rei pelo povo do Reino do Pegu. Este capitão português comandava as tropas do rei de Arakan e recebeu licença para fundar uma Casa e Alfândega em Sirião. Intrometeu-se, porém, um "infiel" e ambicioso amigo que transformou esta cedência real numa base de negócios para os portugueses. O rei de Arakan indignado retaliou atacando Salvador Ribeiro de Sousa que se refugiou na fortaleza de Pegu e com um punhado de homens desbaratou uma esquadra de mais de 1000 barcos e 40.000 homens que o cercavam, que acabaram por retirar depois de muitas baixas. A fama desta proeza correu o Indo-China e os habitantes de Pegu deram a sua Corôa a este guerreiro português. O nome de Salvador Ribeiro de Sousa soa na nossa história como comparável à heróica façanha de Marco Aurélio, na Roma Imperial à beira da decadência. O regresso de Salvador Ribeiro de Sousa foi pretexto para assunto de romance em verso de Morais Sarmento, intitulado "O Massinga".

    Quando entramos na igreja de Santa Catarina deparamos com o guarda-vento em madeira bem construído havendo no tecto uma inscrição, que memoriza esta obra. A expensas de J.Q.B.Peixoto e Sr. Botelho, foi concluido em 23/8/1868 em dias de festas de Nª Sª da Conceição.

    A Igreja é de uma só nave. O altar-mor ostenta uma extraordinária pintura sobre madeira, formando o retábulo, e que imita luminosamente o mármore com madeixas de cores. Existem dois belos altares colaterais em talha dourada ricamente decorados, do século XVII, com belas colunas torsas. A Imagem de maior valor é a de Santa Catarina, do século XVIII, em madeira estofada e policromada.  Nas paredes laterais há seis telas, talvez seicentistas, destacando-se duas de extraordinária importância: uma sobre S.Francisco, recebendo no Monte Alverne, os estigmas da sua visão de Serafim,  e outra representando Santo António a pregar aos peixes.

     No pavimento, à entrada e do lado esquerdo há uma pedra tumular pequenina com a seguinte inscrição:  Sª. (sepultura) de Manoel Carneiro Aranha e de seus herdeiros. Julgamos, pelas consultas feitas, que esta pedra estava antes localizada debaixo do arco cruzeiro da Igreja.

     O conjunto desta Igreja e casa contíguas, forma um Imóvel de Interesse Público (Decreto nº 37077 de 29/9/48) onde a Câmara Municipal de Alenquer é comproprietária, no que toca ao claustro e capítulo, adquiridos por ela há já alguns anos. Unindo esforços e disponibilidades bem poderiam, todos os comproprietários e incluindo os rendeiros que habitam essa casas, levar a bom termo, em parceria, obras de conservação do edifício e do claustro que tão degradado está, para que pudesse ter outro aspecto e apresentação ao visitante que demanda Alenquer com o desejo de visitar este conjunto arquitectónico e patrimonial. 

 

 Fontes:  Alemquer e o Seu Concelho, de

                  Guilherme João Carlos Henriques - 1873.   

 

 

                                                    Carlos Nogueira

                                                     

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