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  A IGREJA DE SANTA MARIA MADALENA, de ALDEIA GAVINHA

 

   Aldeia Gavinha é uma das mais antigas freguesias do concelho de Alenquer, tendo pertencido até meados do século XIX ( à volta de 1850 ), ao extinto concelho de Aldeia Galega. A sua origem remonta à época da ocupação romana nesta região mais ocidental da península hispânica dessa altura. Foi até, recuperada, por volta de 1870, uma pedra tumular de Lúcio Licínio S. Temporão, um provável proprietário romano, de 35 anos, pedra essa descoberta na quinta do Caracol, e exposta actualmente no museu municipal de Torres Vedras.

   O primeiro povoado ter-se-á formado em local a nordeste do actual e já depois da reconquista cristã, parece que devido a periodos de pestes, as populações foram dizimadas e as que sobreviveram, deslocaram-se para a zona onde hoje se situa a actual e atraente localidade.

   É provável que a Igreja Matriz de Aldeia Gavinha tenha sido erigida, a original, nos finais do século XV e princípios de 1500. Embora na porta de entrada se encontrasse  a data de 1724, talvez devido a uma reconstrução, a verdade é que no seu interior há elementos arquitectónicos que indiciam a sua contrução se ter dado dois séculos antes. O espaço interior, quase quadrático, é suportado por três naves separadas por duas arcadas ogivais; os capiteis das colunas de suporte dos arcos com motivos florais são típicos do final do período gótico; uma porta lateral em arco quebrado e o artístico arco triunfal com elementos florais repetitivos, evidenciam a traça manuelina do começo do século XVI. Por isso é de crer, que tendo imperado o bom senso dos administradores e clérigos, estes elementos foram preservados, de uma época de 1500 e transportados no tempo para a reconstrução operada em 1724. Por outro, lado, e a parecer confirmá-lo, os azulejos das paredes laterais são do século XVII, portanto entre 1600 e 1700. À entrada da Igreja e do lado esquerdo está localizada a belíssima capela baptismal. è semi-circular com abóboda hemisférica. Nela há um painel de azulejos com o tema "baptismo de Cristo", e a pia baptismal é de estilo manuelino. O altar-mór possui um belo retábulo do século XVIII, em talha azul e oiro com as imagens de Santa Maria Madalena e Santa Marta. O sacrário de forma esférica com dois grandes anjos laterais é de grande valor artístico. O tecto da capela-mór é em madeira estando nele pintada a Padroeira da Igreja, e foi restaurado há pouco mais de 10 anos. Os dois altares laterais são de talha seiscentista, portanto do século XVII e do lado da Epístola há uma curiosa escultura em pedra representando "La Pietá".

   Incrustado na parede do lado direito, há um outro altar com um belo frontal de azulejos do século XVII, e no seu interior, uma soberba Imagem da Padroeira, feita em calcário. Na sacristia sobre o grande arcaz, que é de madeira exótica do século XVIII, está colocado um painel de azulejos com o tema da "Anunciação". Estes azulejos estiveram, num palheiro da quinta da Cortezia e foram oferecidos à Igreja há uns 40 anos pelo Sr. José Pires de Matos. São azulejos da época de 1640. Há também uma pequena imagem em pedra colocada numa mísula, imagem que foi encontrada durante as obras de restauro da Igreja e trata-se da "Virgem com o Menino". O elegante lavatório desta sacristia veio da Igreja do Socorro de Lisboa que foi demolida. Existe ainda uma tela, também, do tema da "Anunciação da Virgem". Está assinada e datada: José Isidoro de Capia - anno de 1775.

   Esta bonita e bem conservada Igreja é também importante pelo acervo de assentos tumulares que possui, que constitui um relevante repositório histórico das famílias e suas memórias. Algumas lages, embora não muitas, são brasonadas. Na capela-mór estão sepultados o primeiro prior, Padre António, falecido em 1561; o terceiro prior Padre Baltazar, falecido em 1563 e o prior Zacarias da Costa Vasconcelos, falecido em 1638. A sepultura brasonada da Família Castelo Branco em que parece que um dos seus entes terá sido enviado de D. João III, à India, como provisor e vice-governador geral, falecido em 1589. Um outro também com brasão é o de capitão Jerónimo Gonçalves, cavaleiro fidaldo de Lisboa e sua mulher Joanna Jácome de Faria. Este túmulo ocupa o espaço central da capela de Nª Sª da Conceição, do lado esquerdo da Igreja. O brasão apresenta um enxaquetado à esquerda e um castelo à direita o que poderá indiciar ser relativo ao castelo de Faria, perto de Barcelos, de que foram alcaides o famoso Nuno Gonçalves e seu filho Gonçalo Nuno. Junto à porta da torre há a sepultura de Gravel R. de Mosoravia, falecido em 1581. Julga-se que este senhor tivesse sido do lugar de Mossorovia, perto da estrada municipal Alenquer-Torres Vedras, na visinhança do Tojal e não longe de Aldeia Gavinha. Segundo J.Leite de Vasconcelos, referido pelos autores da excelente obra"O Concelho de Alenquer-1" anotada na fonte de informação abaixo e da qual nos apoiamos, foi mencionado que Mossorovia era antes designada por Monçaravia que significava Moçarábia ou dos Moçárabes, havendo, no entanto, antes da reconquista cristã, cristãos integrados nessa comunidade muçulmana. Pode ser que aquele senhor ali sepultado tivesse sido um cristão e importante figura desse lugar.

   Em jeito de pequena conclusão, poderíamos referir que esta Igreja apresenta um valioso dote de obras sacras alusivas ao tema do Mistério da Anunciação.

 

 Fonte:  O Concelho de Alenquer-1, de

                 Profs. António de Oliveira Melo, António

                 Rodrigues Guapo e Padre José Eduardo Ferreira Martins.                 Carlos Nogueira

 

 

 

 

                                                                                                     

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