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igreja-santuário de N.S. da Piedade, em Merceana-Alenquer 

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        A igreja-santuário DE Nª Sª DA PIEDADE, NA MERCEANA

             História e Arte Sacra da Época das Rainhas

 

    O culto a Nossa Senhora da Piedade, na Merceana, remonta há 700 anos, aquando do aparecimento da pequena imagem em madeira e da lenda do boi marciano que abandonava a manada e se recolhia junto ao carvalho em "adoração" à imagem de Nª Sª da Piedade. Uma ermida nesse local foi construída em 1305, para conservar a Imagem e prestar-lhe culto. A Merceana pertence à freguesia de Aldeia Galega que recebeu foral do Rei D.Dinis nesse ano e depois foi reformulado com o foral novo de D.Manuel I em 1513. Na época de 1300 o Rei D.Dinis e sua esposa D.Isabel de Aragão tinham residência em Alenquer e deve-se a D.Isabel que virá a ser canonizada em 1625, a fundação da Casa do Espírito Santo da vila de Alenquer. A Rainha Santa Isabel, senhora  de extremosa caridade com os necessitados, de quem é conhecido o milagre de transformação de pães e moedas de oiro em rosas, protegia a devoção que os crentes consignavam nas romarias do Espirito Santo, com muita fama em Alenquer nesses tempos.

    A fama da lenda do boi tremalhado, o boi marciano, donde se crê ter derivado o nome de Merceana, espalhou-se por toda a região e até Lisboa, estabelecendo-se um círio de romeiros que vinham de Lisboa pelas festas do Espírito Santo até Alenquer e que depois prosseguiam para a Merceana em adoração a Nossa Senhora da Piedade. Isto sucedeu até 1431, data em que os romeiros lisboetas foram impedidos de entrar neste local por causa da pesta negra que dizimava em Lisboa. Os anos passaram e mais tarde, em 1485, mas já com outra Rainha esposa do Rei D.João II, a Rainha D. Leonor funda o Hospital das Caldas da Rainha. Em 1498, já viúva funda a Misericórdia de Lisboa, na Capela de Nª Sª da Piedade, no claustro da Sé Catedral. A Rainha D. Leonor, nasceu em Beja, e sofreu grandes desgostos pelas lutas que seu marido, Rei D.João II, travou contra as conspirações dos nobres. Por exemplo, o seu irmão, duque de Viseu, foi morto pelo seu próprio marido, que o apunhalou, por suas próprias mãos, em Setúbal. Depois, morreu o seu único filho, o príncipe D.Afonso, quando passeava a cavalo nas margens do rio Tejo, poucos anos antes de o pai D.João II falecer. Em 1495 D.Leonor fica viúva e consagra-se à religião e à caridade. Além de fundar a Santa Casa da Misericórdia e o Hospital das Caldas, como já se referiu, ainda fundou o Convento da Madre de Deus em Xabregas-Lisboa. A Rainha viveu 67 anos (1458-1525.Senhora de elevado perfil humano e espiritual, assumiu a grandiosa missão de criar as Misericórdias com o fim de pôr rm prática as obras corporais de misericórdia: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir aos enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos.

    A Rainha D.Leonor, nas suas viagens para Caldas da Rainha pernoitava em Aldeia Galega onde tinha residência. De resto, Alenquer pertencia à Casa das Rainhas. D.Leonor mandou construir em 152O, tinha ela portanto 62 anos de idade, um sumptuoso edifício no local da ermida que foi substituída. A Confraria do Espírito Santo deu lugar à da Misericórdia e o património da Igreja passou a designar-se de "Real Casa de Nossa Senhora da Piedade da Merceana" que continuava a manter as tradições da Confraria dos Touros da Merceana.

    O Santuário sofreu muitas alterações ao longo de 400 anos. As colunas, os arcos e o arco triunfal são da época do início da construção; e nas paredes deste arco estão em relevo os bustos de D.João II e da Rainha D.Leonor. O Santuário é ladeado por duas torres: uma foi construída em 1704, mas desabou com o terramoto de 1755. Depois desta data foi construída a torre sul e a torre norte só foi concluída na sua edificação no século XIX. No século XVII, durante o perído dos Filipes, talvez por volta de 1615 foi construída a sacristia e nela há paineis de azulejos alusivos à lenda do boi marciano. Também lá se recolhe a Imagem de NªSªda Soledade, de manto azul, que sai no 4º domingo da Quaresma. Nessa mesma época, também foi construído o primeiro altar-mor de talha dourada que hoje está na sacristia sobre o arcaz e foram colocados azulejos de tapete na capela-mor.

    Continuando ainda no século XVII, talvez em 1650/60 foi construído o púlpito de mármore rosa com balaústres, adossado à primeira coluna do lado direito. Foi tambám construída a magnífica balaustrada, teia de torneados, feita em madeira do Brasil, e com uma altura necessária para proteger os crentes que do lado do altar-mor assistiam à benção dos bois no interior da Igreja. A lenda do boi marciano está na base desta tradição de benzer os bois na Igreja. Este ritual era feito no domingo da Santíssima Trindade, ou seja no 8º domingo depois da Páscoa. Mas é de referir que uma outra festa se fazia neste Santuário, que era a 25 de Março. Mantem-se hoje o dia festivo da Santíssima Trindade.

     Agora, no século XVIII as obras duraram todo o século. Em 1704 foi levantada uma torre como já se referiu.  Em 1746 os tectos foram pintados por António Pimenta Rolim, de Lisboa; No tecto central está pintada a Coroação da Virgem. É uma época do reinado de D.João V, e Portugal recebia um quinto do rendimento das minas de oiro e diamantes do Brasil. O Rei reinou de 1706 a 1750 e talvez entre 1740 e 1750 foram executados os 3 magníficos retábulos de talha dourada, as telas, aplicados os embutidos e os azulejos da capela-mor e ainda construída a redoma ou maquineta de prata que passou a abrigar a pequenina imagem de Nª Sª da Piedade. Depois do terramoto de 1755 foi construída a fachada actual, o coro e a torre sul. Julga-se que para estes trabalhos teria vindo de Mafra um guindaste que fora utilizado na elevação de materiais na construção do Convento e Palácio de Mafra que ficara concluido em 1744.

     Os azulejos de tapete colocados no século XVII, na capela-mor, foram vendidos ao prior da Ventosa e à Igreja de Arruda dos Vinhos em 1776 e 1782 respectivamente, e substituídos por outros.

      Em 1780 procedeu-se ao trabalho de talha do varandim do coro e dos lambrequinsdas janelas e das portas; ao douramento das esculturas do arco triunfal e dos capiteis das colunas ( em três deles se representa o ciclo da vida: o nascer, o viver e o morrer ) e à instalação do órgão de tubos.

      Os azulejos das paredes da Igreja já não são os originais. Em seu lugar, os actuais são policromos de estilo neo-clássico, talvez dos anos 1800-1820. Julgamos que estes azulejos representem figurações alusivas às estrofes da Ladaínha de Nossa Senhora como, por exemplo, a Arca da Aliança, a Estrela da Manhã, Rosa Mística, Espelho da Justiça, Torre de Marfim.

      Ainda no século XIX, talvez depois de 1830 terá sido concluída a torre norte.

      Realizavam-se anualmente 4 círios (romarias religiosas) vindos de : Achete(Santarém); Alhandra; Atouguia da Baleia e de Geraldes (Peniche) em cumprimento de promessas por milagres realizados.

Na sacristia estão patentes duas pequenas pinturas em quadro, ainda bem legíveis: uma de 1856 de milagre de cura de doença ocorrida no Casal do Roubado, limite de Geraldes e outra de 1885 de milagre de cura de José, filho de Joaquim da Silva Pancadares, do lugar de Paiol. Actualmente apenas se realiza um círio: o de Geraldes para a Merceana no 3º domingo de Outubro; e ainda um outro, mas este de Olhalvo para a Nazaré (Sítio).

       Em 1960 construiu-se no antigo celeiro, o novo baptistério projectado pelo arquitecto Luis Cristino da Silva , o mesmo que projectou a fachada do Solar da Quinta dos Plátanos, na Merceana, como já escrevemos num outro apontamento, na edição de 31 de Outubro do ano passado. O escultor Leopoldo de Almeida modelou o S.João Baptista que encima a pia baptismal de mármore. O pintor Severo Portela realizou a pintura a óleo de "a cabeça e face de Cristo". Eduardo Leite encarregou-se do trabalho de cerâmicas policromas. Neste espaço da Igreja existe ainda um "Cristo na Cruz" que se julga de 1560, de braços cruzados, flagelado, de pulsos atados, realmente um extraordinário trabalho de escultura.

 

  Fontes: Opúsculo, 1ª edição (1980) da Confraria de

                       NªSª da Piedade da Merceana.

                  Guia do Professor em Terras de Alenquer,

                       de Alberto Tapadinhas Assunção (delegado escolar)

                  Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa

                       da Junta Distrital de Lisboa (1962).

 

                                                                                                                 Carlos Nogueira      19.3.2000

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