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história de igrejas

A Igreja de S. Bartolomeu,de Castanheira do Ribatejo

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A Igreja de S. Bartolomeu, deCastanheira do Ribatejo 

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   A IGREJA DE S.BARTOLOMEU, da CASTANHEIRA DO RIBATEJO

      Uma jóia da Renascença que necessita de protecção

      ( Imóvel de Interesse Público - Decreto nº 45327 de 25/10/1963 )

 

   A Igreja Matriz da Castanheira do Ribatejo, da invocação de S. Bartolomeu, foi mandada construir por D.António de Ataíde, que recebeu o título de 1º Conde de Castanheira em 1 de Maio de 1532. Este Senhor era valido de El-Rei D.João III e seu Vedor da Fazenda. Personalidade culta, inteligente e de elevada competência D.António de Ataíde desempenhou altas funções ao serviço daquele Rei; com apenas 21 anos ( ainda não era Conde ), foi enviado a França como embaixador em missão de grande envergadura e resolvida com sucesso; tratou do casamento do infante D.Duarte; interferiu nas propostas dos procuradores nas Cortes de 1535, além do seu desempenho regular e proficiente de Vedor da Fazenda Real. Era também Senhor das vilas de Povos e Cheleiros e do morgado da Foz e ainda alcaide-mor de Colares.

   Castanheira do Ribatejo veio à sua posse, por morte de seu pai, D. Álvaro de Ataíde, que dela tinha beneficiado por ter casado com D.Leonor de Noronha, cujo sogro D. Pedro Vasques (ou Vaz) de Mello ser o possuidor da Castanheira do Ribatejo. Esta Vila, que é hoje uma freguesia do concelho de Vila Franca de Xira, pertencia antigamente à Casa do Infantado e  teve foral dado por D.Manuel I, em Santarém, no dia 1 de Junho de 1510. Possuia pelourinho e Câmara. Ainda no início do século XVIII (depois de 1700), a Castanheira dispunha de um governo civil da Câmara, assistido por dois juízes ordinários, três vereadores, um procurador do concelho, escrivão da Câmara, um juíz dos órfãos com escrivão e quatro tabeliães. Possuia ainda capitão-mor e uma companhia da ordenança com sargento-mor que provinha do início do condado representado na pessoa do seu 1º Conde, D.António de Ataíde. Nos arredores da Vila, ainda existia a ermida de Nª Sª do Tojo e a sumptuosa Igreja de Nª Sª da Barroquinha. Depois do terramoto de 1531, os templos e edifícios nobres da Castanheira ficaram em ruínas, e D.António de Ataíde mandou de imediato, reedificá-los. Castanheira possuia Misericórdia e  Hospital que servia de albergaria de recolhimento de homens pobres. O seu sobrinho D.Fernando de Ataíde, fundou em 1514, o Convento de Freiras de Santa Clara da Terceira Regra de S.Francisco, também denominado Mosteiro da Sub-Serra da Castanheira ou ainda Convento de Nª Sª da Annunciada, com autorização do Papa Leão X, sob as condições de ter sómente treze freiras e ser edificado no distrito da paróquia de Santa Maria de Povos. D:Fernando de Ataíde não viu concluída esta obra porque faleceu em 1525, mas sua mulher D.Leonor de Noronha, filha de D. Diogo Lobo, 2º Barão de Alvito, deu-lhe continuidade com o apoio material do 1º Conde de Castanheira, seu tio por afinidade. O Convento acabou por ser concluído em 1541, sendo o 1º Conde D.António de Ataíde o responsável supremo e no qual se recolheu a sua mulher quando enviuvou e ainda duas filhas e pelo menos oito netas. Para este Convento, vieram transferidas de Alenquer, as freiras do Convento de Nª Sª da Conceição, da mesma Ordem de Santa Clara, quando em 1811, as legiões de Napoleão Bonaparte o incendiaram.

   D.António de Ataíde nasceu em 1500 e faleceu em 1563. A Igreja da Castanheira foi construída em 1534, no local onde anos antes havia ruído a primitiva Igreja, por via daquele terramoto, Igreja essa que tinha por orago S. João. No interior da Igreja actual, na parede lateral direita há uma lápide com a seguinte inscrição: " Esta Igreja mandou fazer o muito ilustre Senhor D. António de Ataíde, primeiro conde da Castanheira, no ano de 1534. O retábulo do altar-mor e os sinos grandes e as casas do prior sem ajuda da clerezia e do povo pelo que o prior e beneficiados do ano de 1564 ordenaram por sua morte, que foi a 7 de Outubro, digam para sempre por sua alma nesta Igreja um nocturno com missa cantada de defuntos e dia de S.Bartolomeu lhe digam um responso cantado acabada a missa do dia, e todas as vezes que a cruz desta igreja fôr a Santo António em procissão digam um responso cantado sobre a sua sepultura".

   D.António de Ataíde, está indicado nos documentos, como sepultado no Convento de santo António, próximo do lugar da Loja Nova. Porém, não se sabe onde origináriamente teria sido sepultado, porque só mais tarde, seu filho D.Jorge de Ataíde, que foi bispo de Viseu, tratou de construir mausoléu para os seus pais nesse Convento, que foi fundado em 1400 por Frei Pedro de Alamancos.

   A Igreja da Castanheira é quinhentista com traça firme do estilo renascença, como o atesta o pórtico principal de entrada e o arco triunfal de acesso ao altar-mor. O pórtico principal possui duas colunas em forma de fustes estriados e o arco é de volta perfeita; a encimá-lo estão esculturas formando medalhões ao fino gosto de Nicolau Chanterenne, o introdutor do estilo renascença, em Portugal. Ainda por cima do pórtico, e entre este e a janela gradeada, encontramos o brasão dos Ataídes. A altaneira e magnífica Torre sineira é ornada por coruchéu, estilo barroco tardio. Na fachada lateral esquerda, do lado desta torre sineira e a meio do corpo exterior da Igreja, presenciamos uma outra porta renascentista. O interior da Igreja recebe a luz solar através de janelões de fresta chanfrada formando ogivas para o exterior, possibilitando deduzir-se que as paredes mestras em pedra desta Igreja possuem uma espessura ou largura de construção de cerca de 1,20 m.  Na parede voltada a sul há quatro janelões; um deles parcialmente tapado pelo encosto do altar interior do lado direito; o outro totalmente fechado, na parte inferior da parede, o que permitiu no lado oposto interior a formação de uma pequena área com armário de livros bíblicos e de catequese. Na parede exterior voltada a norte, existem dois janelões do mesmo tipo e ao centro na base inferior a porta lateral renascentista, já atrás referida. No flanco esquerdo, junto à torre sineira, discortinam-se mais dois janelões de menor dimensão, e numa posição de altura de cave, a porta de acesso à cripta desta Igreja. Há ainda para observar, quatro gárgulas do telhado, com formas aproximadas de corpo frontal de animais (carneiro, cão e talvez ave de rapina), que são pedras trabalhadas numa escultura grotesca, possuindo um canal escavado por onde escoam as águas pluviais da cobertura da Igreja. O corpo exterior da Igreja está reforçado com quatro colunas de reforço, paralelepipédicas em pedra (duas de cada lado) dando assim consistência à construção para suportar tremores de terra e desgaste dos agentes erosivos.  Diversos outros elementos arquitectónicos existem na Igreja que revelam o carácter renascentista de estilo. Por exemplo, as quatro mísulas encastoadas nos azulejos das paredes da nave central e que podem revelar terem saído delas os arcos da abóboda primitiva. Este vestígio de arcos de suporte da abóboda primitiva, poderá também ser discortinado pelos arranques de pedra que se veem nos cantos-vértices esquerdo e direito ao entrarmos na Igreja e no canto superior direito, por cima do altar ddo Sagrado Coração de Maria. Se pensarmos que, com o terramoto de 1 de Novembro de 1755, a Igreja tenha sofrido severos danos e ter caído o tecto, é provável que a cobertura actual é posterior a essa data com uma concepção diferente e quiça ter já sofrido outras alterações, e em que o forro a madeira do tecto, nada tenha a ver com o que era primitivamente. Com efeito, no inquérito das Memórias Paroquiais à vila da Castanheira, de 4 de Setembro de 1759, ficou a saber-se que no terramoto de 1755, a igreja de S. Bartolomeu, da Castanheira, ficou apenas com as paredes levantadas (ANTT, Memórias Paroquiais, "Castanheira", vol. 9, 1759, fl. 1243) Tudo leva a crer que a Igreja, possuia, antes desse terramoto, uma abóboda que ficou destruída, e que a mesma era formada por nervuras, do tipo estrelato, tal como D.António de Ataíde, mandava construir em todos os templos onde ele era Senhorio; a Igreja patenteia, ainda, as mísulas de descarga da abóboda. A cripta desta Igreja, mantém e conserva o mesmo tipo de tectos, com arcos cruzados, dessa época quinhentista. As duas pias de água benta e o púlpito são de estilo renascença, embora este último que se revela em cinco calotes triângulares de um poliedro octogonal, tenha traço de gótico tardio. Há também, dois interessantes confissionários, nas paredes laterais e opostos, numa bem imaginada concepção, porque estão encastrados nas paredes e ornados no friso de alvenaria com discretos losangos trabalhados na pedra. A pia baptismal, situada logo à entrada da Igreja, do lado esquerdo, é também uma obra perfeita e bem desenhada em estilo renascença. O altar-mor é de extraordinária beleza, com retábulo de grossas colunas torças, cuja talha dourada é profusamente decorada com motivos de frutos e aves. Ao centro do altar está o magnífico sacrário de grandes dimensões, uma autêntica jóia de arte plena de criatividade individualista. Na sua rectaguarda e em posição ligeiramente superior encontra-se a magestosa Imagem da Imaculada Conceição e no topo do pedestal, de raro desenho artístico, está instalado Cristo crucificado. São do século XVIII, outras duas obras de grande valor arquitectónico: os dois altares laterais, de consideráveis dimensões: do lado direito, um altar em pedra que apresenta um retábulo em talha enquadrando uma tela com figuras de alminhas e com os arcanjos S.Miguel, S.Gabriel e S.Rafael; neste altar podemos ainda contemplar, ao centro, Cristo crucificado, e lateralmente as Imagens de S.Sebastião e S. Pedro. Do lado esquerdo, um outro altar em alvenaria pintada, com retábulo, também em talha que enquadra uma Imagem de Nª Sª e o Menino e que muitos entendidos consideram ser Santa Ana  e a Virgem (Mãe da Virgem Nª Senhora). Neste altar está a Imagem do orago desta Igreja: S. Bartolomeu. Afixado e ocupando o interior deste altar, na sua parede, há um Cristo crucificado, que é um invulgar e delicado trabalho em chapa de cobre, recortada e pintada. Há mais uma outra valiosíssima Imagem, que não ocupa lugar fixo. É a Imagem de S.João Baptista, que faz parte da Capelinha deste Santo, situada junto à Estrada Nacional, Imagem essa, a mais representativa das gloriosas festas de S.João, da Castanheira, cujo andor sai dessa Capelinha para a Igreja Matriz e de novo regressa àquela.

   Outro valioso património artístico do interior desta Igreja, é todo o seu conjunto de azulejaria. As paredes da área do altar-mor, nas suas totais superfícies, estão forradas com azulejos de tipo tapete, do século XVII, que sobem até ao tecto de masseira, ricamente decorado com pinturas místicas ou de caracter bíblico. As paredes de toda a nave, são forradas, mas não na totalidade das superfícies, por duas ordens de azulejos; a começar do pavimento até metro e meio de altura, estão colocados azulejos do mesmo século, em cores verde e branca, numa relativa disposição de linhas diagonais que se cruzam perpendicularmente formando quadrados de duas dimensões. A partir dessa altura e por mais uns quatro metros, as paredes estão forradas com azulejos de tipo tapete formando desenhos geométricos e com figuras de elos de cadeias e estampas de anjos. Na área de paredes, junto à porta de entrada, os azulejos não sobem à mesma altura, portanto quedam-se por uma altura inferior, devido ao facto, assim julgamos, de em tempos essa área corresponder à zona de fixação do Coro desta Igreja, no qual existia um órgão de considerável valor.

     Todo o pavimento desta Igreja é em pedra e mosaico. O assento em pedra é, quase na totalidade, constituído por grandes lages com inscrições que correspondem a lápides de túmulos de distintas pessoas e famílias que haviam sido sepultadas na Igreja que antecedeu esta.

 

   Fontes: - Antiguidades do Moderno Concelho de Vila

                      Franca de Xira, de Lino de Macedo

                  - Boletim da Associação dos Arqueólogos Por-

                      tugueses-Janeiro 1911; Brito, Nogueira de (1912)

                  - O Hospital do Espírito Santo da Vila da Castanheira,

                      de Isaías da Rocha Pereira (Separata do Boletim da

                       Associação de Arqueólogos Portugueses)

                  - Monumentos e Edifícios Notáveis do distrito de

                       Lisboa - edição da Junta Distrital de Lisboa.

                                                                                                          Carlos Nogueira

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