Make your own free website on Tripod.com

história de igrejas

O Convento de S. Jerónimo, do Mato
Home
O Convento do Salvador em Lisboa e Casas Nobres de Azambuja e Alenquer
Os Telles (de Meneses) de Alenquer
A Antiga Igreja de NªSª das Virtudes, de Ventosa - Alenquer
Ota e a sua igreja do Divino Espírito Santo
A Ermida de Nª Sª da Redonda, de Alenquer
O Antigo Convento de Nª Sª da Conceição de Alenquer
A Vila de Ota e a Igreja do Espírito Santo
O Lugar de Arneiro e a sua Capela do Espírito Santo
As Antigas Igrejas de Santiago, de Alenquer e Palmela
O Pensamento de Nogueira, beirão guardense
igreja de Santa Catarina, de Alenquer
IGREJA DE S.PEDRO, DE ALENQUER
igreja de Santa Madalena-Aldeia Gavinha
Igreja de Santana da Carnota
Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal
igreja-santuário de N.S.da Piedade, em Merceana-Alenquer
A Igreja de S. Bartolomeu,de Castanheira do Ribatejo
A Igreja do Espírito Santo, de Alenquer
igreja-basílica de Santa Quitéria, de Meca
O Convento de S. Jerónimo, do Mato
Pereiro de Palhacana e a História das duas Igrejas
A Capela de S. Roque, de Abrigada
O pelourinho e Igreja de N.S.Prazeres, de Aldeia Galega
Igreja de S. Sebastião, da Espiçandeira
Ruinas do antigo Convento de Montejunto
Vila Verde dos Francos e as ilustres famílias dos Noronhas e Albuquerques
Igreja Nª Sª dos Anjos, de Vila Verde dos Francos
A minha vida -cinco décadas de estudos
Favorite Links
Contact Me
Ex-Convento e Igreja de S.Francisco de Alenquer
Ex-Convento de Santo António de Charnais-Merceana

O Convento de S. Jerónimo, do Mato 

 

O CONVENTO DE S.JERÓNIMO, DO MATO

       O Rei D.Manuel era devoto assíduo;  e o Mosteiro dos Jerónimos

       em Belém, não terá sido, o nome, uma sua homenagem à Ordem de

       S.Jerónimo ?

 

          A designação de Lugar do Mato, terá derivado da existência de uma densa mata de carvalhos, próximo da freguesia de Ribafria, e onde foi construído um Convento da Ordem de S.Jerónimo.

          Guilherme João Carlos Henriques, na sua obra, Alemquer e o Seu Concelho, de 1873, informa que a Casa que pertenceu à Ordem de S.Jerónimo, foi fundada por Frei Vasco em 1354. Porém, outro autor, Cândido Dias dos Santos, indica que pela bula "Piis Votis Fidelium" de 1 de Abril de 1400, o Papa Bonifácio IX autorizou a construção de dois mosteiros em Portugal desta Ordem dos Jerónimos: o de PenhaLonga, em Sintra e o de S.Jerónimo do Mato, em Alenquer.

          Frei Vasco Martins era Terceiro Franciscano, seguidor de Tommasuccio da Foligno(italiano), lançou pela primeira vez, em Sintra, os fundamentos da Ordem de S.Jerónimo. Tendo por origem as comunidades de eremitas italianos, sem Regra, nem Superior, nem Hábito, progrediram para uma fase de monges com Regra, razão pela qual o Papa referido deveria ter favorecido o surgir da Ordem e instalação de província monástica em Portugal. E a partir de 1448 a Ordem de S. Jerónimo passou a ter mais dois conventos: S.Marcos, no termo de Coimbra de então, e NªSª do Espinheiro, em Évora. A Ordem que anos antes dependera do bispo de diocese, passou, num salto de grau hierárquico a depender directamente da Santa Sé. A Ordem veio a conhecer um notável progresso, não só pelo apoio directo do Papa, mas também pelo privilégio e voto do nosso Rei D.Manuel, o Venturoso, que tendo residência real em Alenquer, acarinhou este Convento e nele participava, nos cultos religiosos, "despindo-se" das formalidades e protocolos de monarca. Parece que o Convento, foi reedificado em 1389 por D.João I, a que ser certo, leva a concluir que ele foi fundado na data que Guilherme Henriques informa. (Talvez a bula papal se prestasse, mais própriamente à sua legalização e reconhecimento). O certo é que o Convento ainda voltou a ser objecto de nova reedificação, depois, por volta de 1500, e com D.Manuel, tendo por isso sido enriquecido com a arquitectura e arte do estilo manuelino genuíno no portal da Igreja e numa porta e janela do edifício conventual. Ele realmente está situado num lugar inóspito, no cume de uma encosta isolada, onde paira o silêncio, mas também um temor nocturno de arrepiar. A construção assenta na berma íngreme do planalto, razão por que teve de ser construído um paredão ou muralha de suporte para evitar que o Convento resvalasse encosta abaixo.

          Com o terramoto de 1755 o Convento sofreu danos consideráveis, em especial a capela, mas felizmente o portal resistiu, e os frades tiveram necessidade de transferir as orações do culto para uma outra casa do Convento, porque não dispunham de posses para recuperar a Capela. Na sala do Capítulo, havia a imagem de NªSªda Encarnação, de profunda devoção dos residentes das povoações da área, e segundo Guilherme Henriques, o Padre Frei Lourenço, confessor da Rainha D.Leonor, era também um dos grandes devotos de Nossa Senhora da Encarnação. Tendo falecido, foi enterrado no adro do Convento. Passado algum tempo, e conforme a tradição ao longo dos séculos transmitiu, nascia da cabeceira da sepultura um espinheiro, cujos ramos se alinhavam em forma de cruz e pelas folhas se desvendavam a seguinte inscrição de caracteres: "Rubum Quem Viderat Moyses Incombustum" -- ( extraordinária e notável maravilha do Céu, pois nesta figura e símbolo do sacratíssimo mistério da Encarnação, publicou o Céu a virtude daquele Santo Eremita e a sua devoção para com a sua Santíssima Rainha). A lenda transmite que o fenómeno se dava por a sepultura estar sob "vistas" da Senhora da Encarnação, colocada cá fora num pequeno alpendre sobre o pórtico da capela. A lenda diz também que as ossadas de Frei Lourenço foram trasladadas e o espinheiro secou, não havendo mais "milagre da Encarnação"

           A Rainha D. Leonor, no ano de 1500 tinha 42 anos e já estava viúva há 5. Foi uma Senhora que muito sofreu na vida, com as conspirações contra o seu marido, o poderoso e sábio Rei D.João II, pois que lhe morreu o seu único filho, o infante D.Afonso e o seu irmão D.Diogo (duque de Viseu) foi assassinado pelo seu próprio marido, na descoberta de uma intentona. A Rainha era irmã de D.Manuel, mas este era mais novo 11 anos. Assim em 1500 o Rei D.Manuel tinha 31 anos e já reinava há 5 anos tendo sucedido a D.João II, seu cunhado. Esta época era de explendor para a Coroa Portuguesa, porque 6 anos antes, em 1494, tinha sido assinado, por D.João II (um ano antes da sua morte) e o Rei de Espanha, o Tratado de Tordesilhas, que abria a Portugal as portas do Oriente e do Mundo. A sábia negociação de D.João II, ficou na história universal, e permitiu que Portugal ficasse com o Brasil e toda a rota do Oriente a partir de África. Talvez D.Manuel que viria a ser Rei em 1496 sentisse na caridade de sua irmã e no desenrolar destes importantes acontecimentos, obra de comando divino, e recolhia-se com frequência neste Convento do Mato, para meditar e oferecer as suas devoções. Mas também, não será de descurar a hipótese de o Rei e o seu séquito se recolher neste ponto tão isolado para fugir e se proteger da peste que em 1500 e 1503 dizimava tantas vidas. E os puros ares desta mata bem poderia contribuir para evitar as febres !  Descobria-se a Índia em 1498 e o Brasil em 1500, e em comemoração D.Manuel coloca aqui no Convento do Mato, o cunho do seu estilo arquitectónico, o manuelino, e manda construir o Mosteiro dos Jerónimos (Mosteiro de NªSªde Belém, em Lisboa), a Torre de Belém (ou Torre de S.Vicente, em Belém - Lisboa) o Convento de Cristo, em Tomar e as Capelas Imperfeitas, no Mosteiro da Batalha.            

              Também existia neste Convento, uma magnífica imagem de S.Domingos com o cão e o facho na boca, que pela prestimosa informação da Senhora D.Maria da Conceição Lobão de Mascarenhas, natural de Abrigada, foi levada, quando foram extintas as Ordens Religiosas em 1834, para a Capela de S.Roque daquela Vila (vidé carta em "correio dos leitores", na edição deste jornal de 30/10/2000).

           Com a extinção das Ordens Religiosas, os conventos e bens patrimoniais dos mosteiros foram confiscados pelo Estado, que depois foram vendidos e leiloados a entidades particulares. O Convento de S.Jerónimo integrado numa imensa quinta, foi reconvertido para residência particular e a sua exploração agrícola passou a reger-se pela lógica da iniciativa privada dos meios de produção. Esta Quinta foi em 1876 distinguida, na pessoa dos seus proprietários, com prémio na exposição de Filadelfia, como produtor de cereja, considerada a maior produtora em Portugal nessa época. Em 1934 era seu proprietário o Senhor José António Tavares. Pela recolha de elementos a partir da fonte indicada abaixo no número 2 e por informações complementares, a Quinta é,  actualmente, propriedade do Senhor José Pereira Rafael e seu cunhado.

 

 Fontes:  1. Alemquer e o Seu Concelho, de

                      Guilherme João Carlos Henriques - 1873.

                2.  O Concelho de Alenquer 3 , de

                       Profs. António de

                3.  A Revista " A HORA Oliveira Melo, António

                       Rodrigues Guapo e Padre José Eduardo

                       Ferreira Martins. "
                                                                                         Carlos Nogueira

Enter supporting content here