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A Capela de S. Roque, de Abrigada

 

A CAPELA DE S.ROQUE, de ABRIGADA

       e os anos de ouro entre 1860 e 1900

        (Uma referência à ilustre Família Gorjão)

    A Capela de S.Roque, em Abrigada, terá sido construída nos finais do século XVII, talvez à volta de 1680. Terá sido mandada construir pelos herdeiros de Gonçalo Vaz de Araújo, vivo em 1614, e que foi o instituidor do vínculo de morgadio da Quinta de Abrigada.

    A Capela sofreu remodelação na década de 1960. Situada no interior do aglomerado urbano da Vila, a Capela de S.Roque desperta a curiosidade do visitante, devido à sua característica arquitectura, com uma torre encimada por elegante cúpula rebatida.

    No exterior, à sua entrada, no lado esquerdo está aplicado na parede um grande painel em azulejos azuis retratando a figura do Santo, com corôa na cabeça, o bordão e cabaça na mão direita, o cão ao seu lado esquerdo e a sua mão esquerda a apontar para a ferida na perna direita. Lá dentro , a imagem de S.Roque à esquerda do altar. Guilherme João Carlos Henriques, julga que a imagem antiga, que se pensa ter vindo ddos Casais da Pedreira ou do Sítio de Monsanto foi destruída pelos franceses, aquando das invasões napoleónicas, e foi substituída por outra que é a actual. No altar, à direita está a imagem de "A Imaculada Conceição". Ao centro está o Sacrário, que é uma maravilhosa obra de arte e sobre os degraus do altar um grande crucifixo em madeira policromada, talvez do século XVII, com Cristo na Cruz que pelo elevado tamanho, é pouco vulgar ver-se nas Igrejas de Portugal. Todo este altar está envolvido e coberto por um arco de grande beleza arquitectónica com duas colunas que podem imitar o estilo coríntio.

   Esta Capela, que à primeira vista pode parecer simples e modesta, tem um acervo importante de imagens e todo o seu conjunto interior tem um consideravel valor patrimonial e histórico. As imagens de S.Domingos, Nª Sª do Sagrado Coração de Maria, Nª Senhora com cinco anjinhos aos pés, têm um valor plástico e artístico incalculável. O tecto da Capela dá a sensação de desenho de construção trapezoidal protegido com 14 ou 15 linhas paralelas de madeira transversais em relação ao tecto. O varandim do coro é recto com 18 pilaretes de madeira.

   À esquerda, perto da pia baptismal, há na parede uma lápide com a seguinte inscrição: " Visconde da Silveira - João Vicente da Silveira, médico da Real Câmara , além de muitos melhoramentos que fez n'esta Capela mandou construir este altar em 1891. Sua viúva a Viscondessa da Silveira D.Gertrudes Emília da Silveira, colocou a lápide em 1899".

   No pavimento, também, logo à entrada da Capela, há a pedra tumular de:

     D.ANNA IZABEL D'ANNUNCIAÇÃO (mãe do Visconde da Silveira) - Por D. Anna Izabel d'Annunciação que nasceu em Abrigada em 1788 e faleceu em 1829, onde foi modelo das mães e exemplar de caridade. Seu filho, o Visconde da Silveira, mandou colocar esta pedra cobrindo os restos mortais e perpectuando a memória de que a todos os respeitos foi merecedora de geral consideração.

   O período da segunda metade do século XIX (1850) e princípio do século XX (1900- 1910) correspondeu a uma fase de grande progresso económico, nesta Vila, com base na as vinhas, logo que a mesma foi debelada, mandou construir na rua da Praça, em Abrigada, uma Adega, a acrescentar às que antes e depois foram construídas, tendo essa Adega uma rosácia em ferro na parede e por baixo a seguinte inscrição: " No anno de 1858 J.M.Camilo cultura da vinha e comercialização de vinhos. O Senhor JOSÉ MARIA CAMILLO DE MENDONÇA foi um opulento comerciante da praça de Lisboa e proprietário nesta Vila. Este Senhor depois de ter passado por maus anos, devido à doença da filoxera que destruia de Mendonça mandou fazer esta adega em 40 dias por ter neste Verão declinado o oidium, terrível mal que por 6 annos distruio as vinhas e seus fructos. A continuação deste flagelo levaria esta povoação e este Reino à Mizeria".

   O Senhor José Maria Camillo de Mendonça foi agraciado com o título de Visconde de Abrigada por Decreto Régio de 27 de Janeiro de 1870, do Rei D. Luís I. Viveu entre os anos de 1818 e 1885 e era casado com D. Maria Leonor Ernestina Coutinho de Saldanha e Daun. Esta Senhora era irmã de D. Maria Ana Isabel Coutinho Pereira de Seabra e Sousa, filhas do 1º Visconde da Baía. Como esta Senhora era casada com Francisco Rafael Gorjão Henriques da Cunha Coimbra Botado e Serra, este Senhor e o Visconde de Abrigada eram co-cunhados.Deste casamento, ocorrido em 1843, nasceu Manuel Rafael Gorjão Henriques, em 1846, na sua Quinta da Abrigada, e vem a ser General e Ministro Par do Reino. Casou com 34 anos, em 1880, com a filha do Visconde da Abrigada, que era portanto sua prima, de nome D. Maria Leonor Ernestina Beatriz de Mendonça de Saldanha e Daun. Um descendente desta Famíla foi Francisco Pinheiro Gorjão Henriques que era neto da cunhada do Visconde da Abrigada. Este Senhor foi Presidente da Câmara Municipal de Alenquer em 1934 e era casado com D. Maria Domingues de Mendonça Gorjão Henriques que eram avós dos actuais proprietários da Quinta da Abrigada. E foi com amável solicitude que um dos irmãos proprietários da Quinta, o Senhor Francisco Gorjão Machado, nos fez cedência das informações que mais se adequaram à feitura deste trabalho, e relacionadas com a árvore geneológica desta Família.

    O bonito palacete de azulejos com duas entradas alpendradas que se pode admirar no centro da Vila, foi mandado construir pelo Senhor Visconde de Abrigada por volta do ano de 1870.

 

 

 

   Fontes: O Concelho de Alenquer. de António de Oliveira Melo,

                 António Rodrigues Guapo e José Eduardo Martins.

                 Alemquer e o Seu Concelho, de Guilherme João Carlos Rodrigues - 1873

                                     Carlos Nogueira