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história de igrejas

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   O PELOURINHO E A IGREJA DE Nª Sª DOS PRAZERES

          em  Aldeia Galega da Merceana

 

   A Aldeia Galega da Merceana, antigamente denominada Montes de Alenquer, foi elevada à categoria de vila por D.Dinis, em Janeiro de 1305. O Pelourinho que nela existe, classificado de monumento nacional, é de estilo manuelino, formado por uma coluna torsa cingida a meia altura por um anel ornamentado. Todo ele está profusamente decorado com motivos de flora e de fauna local da época ( cabeças de javali e de touro). Os agentes erosivos do tempo já o fizeram corroer em alguns contornos, se pensarmos que passaram por ele muitos séculos. O Pelourinho integra-se num espaço onde se localiza a antiga Casa da Rainha D.Leonor, mulher de D.João II, a Casa onde eram recebidos os julgados e a velha Igreja da Misericórdia, hoje só em paredes e a aguardar restauro. Um outro espaço, desta vila histórica, é o Largo do Divino Espírito Santo, onde se situa a Capela do mesmo nome, e a Igreja de Nª Sª dos Prazeres, mandada construir por aquela Rainha em 1525, provávelmente, no ano da sua morte, e 5 anos depois de se iniciar a contrução da Igreja de Nª Sª da Piedade, na Merceana. Pelo foral de 1 de Outubro de 1513, D.Manuel I fez acrescentar o nome de Merceana a Aldeia Galega, para a distinguir de Aldeia Galega do Ribatejo, que é a actual cidade do Montijo.

   Numa das dependências da antiga Casa das Rainhas, funciona a ADL-Associação de Desenvolvimento Local, que tem realizado um importante trabalho de recuperação dos edifícios históricos e de interesse público do Centro Rural de Aldeia Galega da Merceana. Irá ser recuperado o edifício, que no passado serviu de adega da povoação, situada junto ao Pelourinho, vindo a servir de futura sede da ADL. A rua que liga os dois largos dos conjuntos históricos, também vai ser recuperada, contando-se com o apoio financeiro do PPDR, tal como já sucedeu com as obras de restauro e de beneficiação da Igreja de Nª Sª dos Prazeres.

   De visita a esta Igreja, na companhia do Sr. Afonso Silva, técnico da ADL, pudemos admirar a espectacular pintura do tecto restaurado, que representa ao centro a "Assunção da Virgem" com motivos vegetais circundantes, oferecendo grande beleza de equilíbrio geométrico e estético. Igualmente se pode apreciar o belo trabalho de talha nos três altares e coro, em branco e oiro, os dois púlpitos e a talha rocaille que ornamenta as janelas. A Igreja de Nª Sª dos Prazeres é de uma só nave. Nas paredes, apartir do chão e até um terço de altura, há um magnífico silhar de azulejos setecentista de painéis figurativos de cenas bíblicas, destacando-se os temas de "As Bodas de Cana", "Abraão e os Anjos", "Elias e o Anjo", "Sacrifício de Isaac", "Multiplicação dos Pães", "Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém", entre outros. Nos dois altares laterais, num deles, o da direita, há a imagem de S.Miguel; no outro está a bela imagem de Nª Sª do Rosário. No altar-mor, ao centro a Padroeira, e lateralmente, mais quatro valiosas imagens. Do lado direito, mas agora por baixo do coro e não longe da porta principal, é digna de realce a Capela em que o tecto é de abóboda de arcos cruzados, e o florão que fecha a abóboda, tem uma vieira, distintivo do brazão dos fundadores da Capela. Sabe-se que esta Capela pertenceu aos Condes de Ericeira, tendo sido 1º Conde da Ericeira, D.Diogo de Meneses, que participou na batalha de Alcácer-Quibir.Terá vivido entre 1553 e 1635. No pavimento há uma pedra tumular de grande dimensão, com brazão e inscrição de um Vieira, falecido no dia de Nª Sª das Neves, a 5 de Agosto, e no ano de 1556, o que leva a crer que os condes de Ericeira utilizaram o culto da Capela posteriormente. A invocação do altar desta Capela é em honra de Nº Senhor da Cruz Nova, assim chamado por ser um crucifixo de pedra fina, que no começo do século XVIII(pouco depois de 1700) foi descoberto próximo da Quinta do Falou, e por ordem do primeiro patriarca de Lisboa D. Tomaz de Almeida, foi aqui recolhido. De notar, que Lisboa teve o primeiro patriarca, no reinado de D.João V, que pediu este título ao Papa, pois antes disso Lisboa tinha só o título de Arcebispo. E pela datas bate certo, que aquele crucifixo tenha sido descoberto pouco depois de 1700, e o primeiro patriarca de Lisboa fosse dessa data, porque D.João V subiu ao trono em 1706. Ainda nesta Capela há uma valiosa imagem de Santa Ana, outra de Nª Sª de Fátima e um Sagrado Coração de Jesus. O altar da Capela é em talha dourada setecentista com um valioso frontal de zulejos hispano-árabes.

     Voltando ao interior da Igreja, debaixo do arco cruzeiro situa-se a sepultura de Jorge Cabral de Távora, que foi prior desta Igreja, tendo vivido no reinado de Filipe I, e foi pessoa e prior de grande valor e merecimento.

     A entrada principal para esta Igreja faz-se por um rico portal manuelino em colunas torsas laterais e está protegida e coberta por um simples mas bem dimensionado alpendre. O emblema dos pelicanos que se descobre no ponto superior do arco, parece dar a entender situar-se esta obra escultórica no reinado de D.João II. O emblema do pelicano, como insígnia real, no reinado de D.João II, poderá ser tomado segundo dois significados distintos: um, como amuleto, no sentido de fazer afugentar doenças das aves domésticas; o outro, seria, pelo facto de o pelicano alimentar os filhos agarrados às patas, sugerir que a sua presença seria útil à vitalidade dos filhos e o emblema, por esta razão, servir de amuleto à fecundidade feminina e à criação ou amamentação das crianças.      Existe uma ampla dependência rectângular contígua à parede da Igreja, lado sul, espaço que depois de recuperado, com intervenção da ADL, Associação de Desenvolvimento Local, poderá ser utilizado para nele se instalar o futuro museu de arte sacra, que será o único, de caracter público, no concelho de Alenquer.

    Deixámos decorrer 3 ou 4 meses sobre a data-início da elaboração deste apontamento. Voltámos a Aldeia Galega, nos últimos dias de Agosto, e pudemos constatar que a antiga adega já foi desmantelada e o terreno está a ser preparado para a construção da obra que servirá de sede da ADL. Uma outra obra, está já concluída: é a do muro e fonte antiga na rua que conflui no posto de via-sácra denominado "A Negação de S.Pedro". Esta obra (fonte e muro ao longo da rua) foi apoiada pelo PPDR-Intervenção e Recuperação de Centros Rurais; pela ADL-Aldeia Galega-Associação de Desenvolvimento Local e ainda com uma comparticipação de 75% da Comunidade Europeia(FEOGA) que pagará 6.359 contos de um total de 8.479 contos, em que a obra fica.

 

 

 

 

 

 Fontes: O Concelho de Alenquer, de António de Oliveira Melo,

                   António Rodrigues Guapo e José Eduardo Martins

               NVMMVS- Boletim da Sociedade Portuguesa de

                   Numismática, Nº11-12 (1956)

 

             Carlos Nogueira

   

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