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Ex-Convento e Igreja de S.Francisco de Alenquer

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Ex-Convento e Igreja de S.Francisco de Alenquer
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   O Ex-Convento e Igreja de S. Francisco de Alenquer

 

 

       No local onde existia o antigo Paço Real da Vila de Alenquer, foi fundado,em 1222,  pela Infanta D.Sancha, filha de D.Sancho I, o Povoador, o primeiro Convento Franciscano em Portugal, sendo seu superior o Frade Zacarias. Á entrada da Igreja actual, sobre a pia da água benta está uma pedra com a seguinte inscrição: - " A Infanta D.Sancha filha delrei D.Sancho, neta delrei D.Affonso Anriques, pº rei de Portugal fundou este Convento no anno de 1222. Esta Senhora recolheu aqui os Sanctos 5 martires de Marrocos pelo que mereceu velos na hora do seu martirio gloriosos 1616 ".  Duas lápides embutidas na parede do pórtico gótico principal de entrada da Igreja, atestam a data da fundação e a data de conclusão de obras em 1355, no reinado de D.Dinis, num decurso de muitos anos com diversas interrupções de trabalhos. Mas, recuando, ainda, no tempo  sabe-se que em 1219 passaram por Alenquer os cinco frades da Ordem de S.Francisco de Assis que se deslocavam para o sul de Espanha e Marrocos, em missão de evangelização. Como nessa data, a Infanta D.Sancha os recebeu, querendo ouvir deles conselhos e profecias, será de deduzir que a Infanta possuia aposentos e oratório nos edifícios do seu Paço Real. Sabe-se,ainda, que esses frades que viriam a ser mártires,permaneceram cá, em Alenquer, durante algum tempo, antes de seguirem para Marrocos, e teriam residido ou no complexo da Igreja de Santa Catarina ou nas casas da Ermida de S.Martinho, que já não existe, mas que era próximo daquela.

       Como a primeira Igreja do Convento se revelara demasiado pequena, foi por isso que a  mãe do Rei D. Dinis mandou construir uma nova Igreja  por volta de 1280 e que viria a concluir-se então naquela data, atrás referida, de 1355.

 

        Mais tarde com o grande cisma do ocidente nos anos de 1370/75, em que os católicos andaram, durante 40 anos, divididos, com um Papa em Roma, Urbano VI, cuja eleição foi considerada ilegal por diversos cardeais, e outro Papa, ou anti-Papa, em Avignon -França, Clemente VII, num período  de agitação e polémica dos ideais cristãos, a crise terá trespassado também aos Conventos, e o de S.Francisco de Alenquer ter-se-á também ressentido. O Rei D.João I, em 1399, constatando, depois de batalha de Aljubarrota, que o Convento de S.Francisco ameaçava cair no abandono e degradar-se, ruindo este património, chamou a Alenquer franciscanos que haviam desertado da Galiza, fugidos às perseguições do cisma que opunha aqueles dois Papas: Frei Diogo de Arias, asturiano; Frei Francisco Sallo; FreiGonçalo Marinho; Frei Pedro de Alamancos e outros, pedindo-lhes que reformassem o Convento. Assim sucedeu, os frades meteram mãos à obra e o Convento veio a ter nova vida, com boas e más épocas até à extinção das Ordens Religiosas em 1834. Consta que Frei Pedro de Alamancos terá chefiado as obras do Convento de Santo António da Castanheira, em 1402, junto ao actual lugar denominado de Loja Nova. 

        Com os terramotos de 1531, 1755 e o último de 1969, o Convento sofreu danos dificeis de reparar mas que a força das boas vontades sempre conseguiu vencer. A partir de 1975, com o Reverendo Padre José Eduardo Ferreira  Martins, Prior de Alenquer, foi projectado fazer-se obras de reconstrução e reparação das áreas danificadas pelo terramoto de 1969. As obras de reconstrução dos tectos da Igreja, que ameaçavam ruir, arrancaram no início da década de oitenta, mais precisamente em finais de 1982, tendo o Patriarcado de Lisboa comparticipado em 50% das despesas, dando-se por concluídas as obras em 1986, abrindo o templo ao culto em 4 de Outubro desse ano. Este Senhor Padre sonhou e tornou realidade a simultânea obra de restauro dos altares e imagens do templo, tornando-o mais acolhedor, atractivo e magnífico aos olhos, sentidos e conforto dos paroquianos e católicos em geral. Com o decurso das obras foram descobertos os arcos góticos deste Convento: além do da porta principal, o adossado à torre sineira, alto, estreito em arco e muito elegante; o outro denota-se ao fundo da Igreja, enchido pela parede lateral direita quando entramos no templo. Dos altares foi retirada alguma pedra que os tornava pesados e esta aproveitada para uma reformulação da área da mesa do altar da celebração da eucaristia; de muitas paredes foram retirados os estuques velhos e podres e polidas as belas pedras calcáreas que dão aspecto monumental ao interior da Igreja; foi, neste caso, o que se fez com a varanda setecentista assente sobre mísulas ou pilaretes de pedra na àrea do altar de Nosso Senhor dos Passos; foi também reconstruída, pintada e dourada a belíssima grade ou portal de madeira que protege a entrada da Capela do Santíssimo. E mais ainda, o Senhor Padre José Eduardo Ferreira  Martins, esclareceu o empenho que na altura das obras se teve em deslocar as lápides de sepulturas que estavam no pavimento, mudando-as para a parede lateral do lado direito quando se entra na Igreja, com o objectivo de as inscrições poderem assim perdurar por séculos o que antes estariam em risco de se desgastarem com o pisar de pés. Também, algumas imagens, como foi o caso da imagem de NªSª das Dores, estavam com pinturas retocadas, o que podiamos designar de pinturas falsas, porque encobriam as pinturas verdadeiras. Foram essas pseudo-pinturas removidas e restauradas, com rigor, aquelas que se descobriam por baixo das primeiras, e essas sim eram as originais. Decerto que foi um trabalho dificil, pensado e levado a bom termo pelo Senhor Padre José Eduardo Ferreira Martins, mas tanto difícil quanto de interessante e surpreendente, assim imaginamos e como de resto, o Senhor Padre José, nos confirmou notando-se, através do seu relato, o faíscar de felicidade no brilho dos seus olhos, o que a memória recorda.

       A porta principal exterior é, como já se referiu, em estilo gótico, aliás este estilo arquitectónico fazia moda neste século XIII, e essa porta é dotada de três arquivoltas talhadas no calcário e com capiteis e está encimada com o brazão das armas reais de D.Dinis. Vamos entrar na Igreja e no seu interior  contorná-la seguindo pela esquerda, ou melhor caminhando da esquerda para a direita; deparamos com a Pia Baptismal de grande interesse artístico de cunho renascença com motivos vegetativos esculpidos na pedra- em frente un nicho de grande dimensão com duas imagens representando o baptismo de Jesus Cristo; seguem-se os altares de S.Francisco Xavier e de NªSª da Conceição (imagem esta, vinda da Quinta do Brandão); o altar do ramo esquerdo do transepto é dedicado a Nª Sª da Soledade com o seu bonito manto, cor azul; a seguir vem o altar do Santíssimo com a magnífica grade-porta dourada, de que já se falou atrás. Vemos a seguir a imagem de Santo Cristo. Vamos transpôr o imponente Arco Cruzeiro do transepto, encimado com brazão real de D.Dinis ou de Sua Mãe e aproximamo-nos do altar-mor, onde além de Cristo na Cruz, observamos a imagem de S.Domingos e a de S.Francisco de Assis, o orago desta imponente Igreja; o Santo que rejeitou a riqueza de seus pais em Assis para amar a pobreza e com os pobres viver, um acto que até podiamos afirmar de grande provocação à própria Igreja do século XII-XIII, cheia de poder e opulência. No dizer de Guilherme João Carlos Henriques, a imagem de S.Francisco foi dada pelo grão-duque do ducado de Florença, em 1612, a Frei António de Assenção, quando ele foi assistir ao Capítulo Geral da Ordem, naquela cidade de Itália. Afirma, também, que esta imagem tem ou tinha um bocado do hábito que o próprio Santo usava. Continuando observamos a imagem de NªSª das Dores, proveniente da Igreja de S.Pedro e depois estamos defronte da passagem ou pequeno atrio de acesso à sacristia, onde, na parede podemos admirar uma rica pintura que ilustra"O baptismo de Cristo", trabalho sobre madeira e do século XVI. Sem entrarmos por agora, na sacristia e continuando a rodar à direita, vem o altar do Senhor dos Passos com a extraordinária varanda lá em cima assente sobre mísulas. É uma área que pela sua beleza arquitectónica muito valoriza o interior desta Igreja. Por fim na parede do lado direito, de quem está virado para o altar-mor, há um altar que sobressai pelo valor patrimonial da imagem que encerra: é a imagem da "Senhora do Capítulo". Julga-se ser do século XV, em madeira estofada e policromada com características da renascença quanto à escultura e pintura: dedos delgados e afuselados, a rigidez plástica do manto e o ponteagudo sapato que surge como que a espreitar debaixo do manto. A imagem tem uma faixa no tronco central abaixo da cintura da Virgem com a inscrição " hinc ad hic " que pode traduzir-se por "daqui para ali" e relaciona-se com uma lenda milagrosa atibuída a esta Virgem: - terá havido um noviço do Convento que cometeu determinada falta considerada grave.O superior do Convento condenou-o a conservar-se de pé no Capítulo junto a esta Nossa Senhora (daí o nome de Senhora do Capítulo), sem comer nem beber, até que à pergunta do noviço a Imagem declarasse qual era o hino de horas do breviário que a Senhora mais gostava de ouvir. Esta condenação correspondia a uma sentença de pena final porque o superior não podia esperar que a Imagem dissesse tal coisa. Diz a lenda que o noviço se entregou com tão profunda fé que pediu que Nossa Senhora lhe fizesse a declaração exigida pelo superior guardião do Convento. A imagem respondeu que o hino que mais prazer tinha em ouvir, era aquele que começa por: "Ó gloriosa Domine". Mas para que o superior ficasse convencido com a resposta do noviço a Santíssima Virgem decidiu mudar o Menino que tinha no braço direito para o esquerdo, e mandar chamar o superior para este se convencer da declaração da Virgem corroborada com a transferência do Menino de um braço para o outro -" HINC AD HIC ". Esta Imagem tem nas costas a data de 1692 que regista um restauro, e provavelmente feito  por artísta sacro,  italiano. Próximas, estão mais duas imagens: uma de Santo António e a outra atribuída a Virgem Mártir. Pelo rigor de disciplina e serenidade dos frades o Convento tornou-se num dos mais afamados da Ordem de S.Francisco e por isso passou a ser escolhido para nele se celebrarem os Capítulos Provinciais. Daí que uma dependência solene para a realização de Reuniões e Meditações, fosse a chamada Sala do Capítulo. Neste Convento foram celebrados nove Capítulos Provinciais, nos anos de 1468, 1486, 1545, 1581, 1689, 1702, 1706, 1709 e 1713.

       Voltando ao interior da Igreja, desta vez à sacristia, nas suas paredes há vários quadros importantes: um deles, representa a Visão do Aparecimento dos Santos Mártires de Marrocos à Infanta D.Sancha, no seu oratório . A Infanta foi beatificada em 1630 e encontra-se sepultada no mosteiro do Lorvão (Penacova), em túmulo de prata, assim como sua irmã D.Teresa. Os cinco frades mártires chamavam-se Otão ou Otho; Pedro de S.Geminiano; Bernardo de Córbia; Aiuto; Accursio: Foram martirizados pelo imperador Miramobim de Marrocos em 16 de Janeiro de 1220, que lhes degolou as cabeças, por suas próprias mãos. Os frades combatiam a religião muçulmana e o imperador sentiu-se ultrajado na sua crença. Duas outras pinturas, sobre tela, retratam o episódio do noviço e do milagre de NªSª do Capítulo: Num quadro o Menino está no braço direito da Senhora; no outro já está no Seu braço esquerdo. Um quarto quadro, cuja pintura foi feita sobre madeira, representa "A Virgem com o Menino Jesus e o Doador". E por que queremos referir-nos de novo aos Santos Mártires de Marrocos, cá fora debaixo do interessante alpendre de madeira, próximo da entrada do Lar da Misericórdia, há um grande painel de azulejos que engloba duas memorizações: Pena é que a maior parte dos azulejos já desapareceu e outros estão degradados;  não impedem, contudo, de mostrar o seu significado histórico: à esquerda estava a história da aparição dos cinco mártires à Infanta D.Sancha; e à direita, este painel praticamente completo, representa o frade Zacarias e  Cristo crucificado, que lhe falou.

     O Convento de S. Francisco, de Alenquer, foi sempre venerado e protegido pela Coroa, como Convento de posse real.  D.Afonso V, o Africano, que reinou entre 1438 e 1481, e foi o génio da instalação do monopólio do comércio nos mares da Guiné, e era irmão da Ordem Terceira de S. Francisco, deu autorização para os frades poderem pescar no rio a fim de obterem peixe para sustento regular e em especial para recuperação dos enfermos, doentes e desnutridos. Poderíamos pensar estarmos nos anos de 1445 e 1446 que foram de terrível fome por penúria de cereais. Igualmente, o Rei, autorizou o corte de lenha, quanta bastasse, da sua mata na Ota. A Rainha D. Leonor de Lencastre, esposa do Rei D.João II, fundadora da Misericórdia de Lisboa e do Hospital das Caldas da Rainha, quando o seu filho, o príncipe D.Afonso caiu do cavalo na lezíria de Santarém e morreu, em julho de 1491, aqui veio rezar e talvez tenha feito as suas preces para que se resolvessem as guerras de conspirações dos nobres contra o seu marido. Uma dessas conspirações foi encabeçada pelo duque de Viseu, primo e cunhado do Rei. Logo que o soberano descobriu a intentona, ele próprio apunhalou o duque, em Setúbal. No reinado de D.Manuel I, entre os anos de 1495 e 1521, o claustro do Convento foi renovado e lavrado o pórtico da Casa do Capítulo, em estilo manuelino. O Rei teria acompanhado as obras, por intermédio dos mestres, se tivermos em conta que o Rei D.Manuel viria anualmente, também, ao Convento de S.Jerónimo, do Mato (Ribafria), fazer os seus retiros espirituais. A capela deste Convento do Mato é em genuino estilo manuelino, assim como uma porta e uma janela da residência dessa Quinta, que com a extinção das Ordens Religiosas em 1834, passou ao domínio privado.

    Em 1557, no ano em que faleceu o Rei D.João III, o grande humanista, cronista e historiador alenquerense, Damião de Goes, ofereceu um relógio de sol em mármore fino de Génova, que terá trazido desta cidade italiana ou de Antuerpia ou da Holanda ou de qualquer outra parte da Europa por onde trabalhou e viveu levando bem alto o prestigiado nome de Portugal, naquele tempo, e os nomes dos Reis D.JoãoII (o Príncipe), D.Manuel e D.João III. O relógio está colocado no ângulo noroeste do claustro do Convento.

    No ano de 1569, ano da Grande Peste, a Rainha D.Catarina, viúva do Rei D.João III, donatária da vila de Alenquer e com fortes relações de amizade e de trabalho com os Condes da Castanheira ( a Família dos Athaídes ), veio recolher-se no Convento e tomando casas vizinhas, para seus  aposentos, instalou-se,  na suposição de estar assim, protegida da peste, à sombra de S.Francisco de Assis.

     Em 1755 o grande terramoto de 1 de Novembro, destruiu quase por completo a Igreja de S.Francisco, resistindo o pórtico gótico da entrada principal e outros arcos góticos que na Igreja e no claustro do Convento se poderão descobrir. O claustro, felizmente, escapou ao sismo e por esse facto é possível hoje admirarmos a arte do estilo manuelino no portal da Casa do Capítulo, os emblemas heráldicos do rei D.Manuel e as esferas armilares nos quatro ângulos internos do claustro. Poderíamos ficar admirados porque há aqui, em Alenquer, o rico estilo manuelino; mas compreenderemos, pelo facto de D.Manuel ter aqui em Alenquer residência real, tal como outros reis antecedentes, D.Dinis, D.Fernando, D.João I e D.Duarte.  Ainda sob as arcadas e colunata do claustro, no lado poente, observa-se uma pequena capela cujo arco de entrada é de estilo renascença a emparceirar, neste templo, com o estilo manuelino, genuinamente português, do portal da Casa do Capítulo. E ao lado deste portal, no seu lado esquerdo, distinguem-se dois arcos baixos góticos que ainda são do primitivo Convento, e por que aqui situados escaparam ao terramoto. Em 1762, data inscrita no ângulo superior externo da parede mais alta da Igreja, foi reconstruído este templo com uma só nave , assim como a abóboda de berço e o transepto. A Igreja primitiva obedeceria às exigências da Ordem de S.Francisco, tendo provavelmente, em vez de uma, três naves mais estreitas e separadas por colunas e arcos, com três capelas na ala oriental, e só neste ponto é que existiria cobertura abobodada, pois o resto do templo, na sua cobertura, seria em madeira de acordo com as regras de construção das igrejas franciscanas, respeitando o mandamento da Santa Pobreza.

     Pelos anos 1840/45, portanto, depois da extinção das Ordens Religiosas, executou-se uma afectação do património, partilhada por três entidades: a Igreja de S.Francisco passou à Paróquia da Freguesia de Santo Estevão; o Convento ficou em benefício da Misericórdia de Alenquer e a área sul do Convento (terrenos) foram afectos à formação do cemitério municipal actual. A Igreja voltou a passar por tempos de desamparo, vindo a cair em degradação. Porém graças a um avultado legado em dinheiro, para a época, da Senhora D.Maria do Patrocínio Bravo Pereira Forjaz, que possuia a Quinta do Bravo, conforme testamento de 2 de Março de 1857, veio a Igreja beneficiar de importante restauro digno das devoções do povo. Contíguo ao extinto Convento,  funciona a Santa Casa da Misericórdia de Alenquer, que foi fundada em 1527, portanto dois anos após a morte da Rainha D.Leonor, a fundadora das Misericórdias.  É seu Provedor o Reverendo Padre José Eduardo Ferreira Martins, Prior de Alenquer, como já fizemos referência sobre a suas obras nesta Igreja de S.Francisco, e noutras como, por exemplo, a de Triana (NªSªda Assunção), que recentemente restaurada, foi de novo aberta ao culto.  A Misericórdia tem as três valências conhecidas: Lar de Idosos com 75 utentes; Centro de Dia com 30 e Apoio Domiciliário, com assistência a 50 pessoas. O Centro Infantil compreende a creche, o jardim de infância e o ATL recebendo  um total de 400 crianças, distribuídas por três grupos etários: até 3 anos; de 3 aos 6 anos, e ATL para as que estão no 1º ciclo do ensino básico. Dá-se assim conta, neste último breve resumo de números, do gigantismo de actividades desta Instituição de Solidariedade Social.

        A Igreja de S.Francisco (anterior e actual) recolheu, desde há mais de 4 séculos, no seu interior, um considerável número de pessoas falecidas, famílias nobres e célebres que por variadas razões a ela estiveram religiosamente ligadas. Em primeiro lugar, será de referir que o corpo do Beato Frei Zacarias aí foi sepultado e em 1611 foi feita a trasladação dos seus ossos para a Capela-Mor, sendo nesse tempo, Lopo de Barros, o Corregidor da Comarca. Embora seja fastidioso descrever as famílias sepultadas neste Templo, não resisto a deixar de o fazer, pela importante contribuição que prestou o ínsigne investigador Guilherme João Carlos Henriques. Assim, e conforme retiramos da fonte nº 2 deste trabalho. Famílias: Ruy Lobo, falecido em 4/1/1548, filho de Cristóvão Gonçalves Lobo e Maria Paçanha, neto de Diogo Gonçalves Lobo (vedor de D.Leonor, mulher de D.Duarte) e de Jº Vaz Paçanha (escrivão dessa Rainha, secretário de D.Afonso V e 1º possuidor do morgado de Santa Catarina); Manoel de Barros Ribeiro, falecido em 1556, fundador do morgado de Villa Vedra e seus pais, Ruy Pires de Figueiredo e Barros (escrivão das terras de D.Leonor, mulher de D.João II); António de Brito, filho de João de Brito e herdeiros (1565); D.Leão de Noronha, falecido em 19/8/1572, Comendador da Ordem de S.Tiago, e sua esposa D.Guiomar de Castro; D.Thomaz de Noronha e herdeiros (brazão dos Noronhas); Lucas d'Orta e herdeiros; Domingos da Encarnação Sequeira e herdeiros; Manuel de Souza e herdeiros; António Telles Pestana e sucessores; Manuel Ribeiro de Vasconcellos e D.Francisca de Vilhena e Castro e ascendentes e herdeiros; Doutor Rui Botelho Boto e D.Joanna da Costa e herdeiros e mãe de Rui Botelho Boto; Jº do Quental Pereira e D. Maria Lobo de Rezende e herdeiros; Francisco Vaz e esposa; D.Beatriz Pachequa, mulher de Manuel Soares d'Albergaria e herdeiros.Personalidades individuais: Desembargador Francisco Nunes Brandão, falecido em 6/6/1717; Cónego Francisco Dias; D. Maria de Mendonça. Em 1635, com a terraplanagem do Coro, foram sepultados D.Manuel de Menezes, general das armadas do Reino e sua mulher D.Maria de Castro, cujo jazigo já não existe: Também antes do terramoto de 1755, na Capela-Mor havia três campas sucessivas que já não existem e diziam respeito às seguintes personalidades: 1. Nuno Vaz de Castello Branco, filho de José Vasques, de Alenquer, e cunhado de Gonçalo Gomes de Azevedo, alcaide-mor. Foi cavaleiro da Ordem de S.Tiago; 2. Ruy Gomes de Azevedo, sobrino de Nuno Vaz de Castello Branco. Foi alcaide-mor de Alenquer; 3. Vasco Martins de Sousa Chichorro, 4º neto, do lado paterno, do Rei D.Afonso III. Foi cavaleiro da Ordem de S.Tiago, membro do Conselho de D.Afonso V; esteve na batalha de Touro e em Alcácer-Ceguer e avisou D.João II da traição arquitectada em Castela contra este nosso Rei, tendo para isso vindo a cavalo e atravessado o rio Douro, numa viagem de Zamora para Miranda do Douro. Há ainda uma lápide com a inscrição(sic parcial) "Gomezio, pro avo Lupo avo Roderico patri, Elizabethae matri Damianus Goes, Eques Lusitanus, anno 1555, pedra de que uma idêntica existiria no oratório de Santa Catarina. Será esta (uma só) vinda de lá ?

 

 Fontes: 1.  O Concelho de Alenquer; Subsídios

                  Para Um Roteiro de Arte e Etnografia,

                  dos Profs. António de Oliveira Melo e

                  António Rodrigues Guapo, e Padre José

                  Eduardo Ferreira Martins.

                2.  Alemquer e o Seu Concelho, de Guilherme

                  João Carlos Henriques-1873.                                                   Carlos Nogueira

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